segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nunca me abandone – Mark Roamanek/2010


Contém Spoilers:

Algumas pessoas têm medo de filmes de terror. Nesses filmes, assassinos seriais e entidades sobrenaturais sedentas de sangue dizimam pessoas dos meios mais variados. Eu, por outro lado, me divirto muito nesses filmes. Posso até ficar tenso e apreensivo em alguns momentos, mas, terminado o filme, a catarse se vai e a realidade volta aos meus olhos e minha cabeça se enche de outras preocupações mais prosaicas e realistas.

Filmes que me causam muito medo são aqueles que mostram como a vida humana é breve, sem sentido e frágil, e como o ser humano pode ser capaz de praticar atos abomináveis, egoístas e violentos. É justamente por isso que considero o sueco Ingmar Bergman o maior gênio do cinema. Sua filmografia percorria tais assuntos com maestria e delicadeza. Esse post, entretanto, não é sobre Bergman... é sobre o grande filme “Não me abandone jamais” (Never Let Me Go) , do diretor americano Mark Romanek. O filme é belo e apavorante no sentido a que me refiro no inicio do parágrafo.

Baseado no cultuado romance homônimo de Kazuo Ishiguro e adaptado para o cinema pelo romancista e roteirista inglês Alex Garland, o filme narra de maneira soturna e melancólica o triângulo amoroso entre três clones humanos: Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield) e Ruth (Keira Knightley), desde a infância em um colégio interno até a época em que, já adultos, serão “sacrificados” para “doar” seus órgãos vitais para humanos autênticos.

O filme toca em tantos temas que valeriam ser discutidos: Desde a ética na ciência, passando por liberdade e vigilância governamental até alienação juvenil, mas, para mim, o aspecto mais significativo tratado na obra é aquilo que atormenta o homem desde os seus primórdios. A eterna dúvida, o descontentamento sem fim que faz da vida essa aventura inexata: o horror existencial!

Esse horror que me acompanha há uns bons anos que certa noite, ainda criança, perdido em pensamentos, me veio à cabeça a noção que meu corpo um dia iria parar e minha mente não mais funcionaria. Esses pensamentos voltam aparecer em minha cabeça de tempos em tempos e, pelo menos para mim, tem um aspecto muito positivo, pois me faz valorizar e amar mais ainda a vida e cada evento que pontua minha existência e principalmente as pessoas que vivem ao meu lado.