terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Boas Festas!!!


Caros amigos...

Chegou aquela época do ano que quase todo mundo tira uns poucos minutos da louca vida que levamos para lembrar dos parentes e dos amigos, pessoas por quem temos um grande carinho e consideração, mas pela dinâmica da vida moderna não falamos tanto quanto gostaríamos.

As festas de final de ano, pelo menos para mim, é um período de reflexão e agradecimento. Nesta época, eu reflito e faço um balanço de tudo que passei e sempre percebo que, independente do ano ter sido mau nas suas pequenices, ele é muito bom no que realmente interessa.

Eu estou aqui, e isso é muito bom ... umas vezes ganhando, outras perdendo; às vezes rindo, outras vezes chorando, mas sempre aqui...com um céu lindo para consolar-me e um abraço de alguém que gosta de mim para confortar-me, e isso, torno a repetir, é muito bom.

Desejo de coração excelentes festas de final de ano para todos, independente da crença de cada um. Que nesses dias vocês possam passar com pessoas especiais, comendo e bebendo aquelas coisas doidas e deliciosas que rolam nestas festas.

E desejo também um ótimo ano novo para todos. Com muita saúde e conquistas para todos.

Grande abraço!

Eraserhead


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ken Russell R.I.P.



Domingo passado, dia 27/11/2011, o cinema mundial perdeu um de seus realizadores mais originais e ousados, o cineasta inglês Ken Russell.

Contestador e irônico, Russell fez filmes dos mais variados gêneros. Realizou musicais (Tommy e Lisztomania), dramas (Os Demônios e Mulheres Apaixonadas), ficção científica (Viagens Alucinantes) e o suspense (Gothic), sempre com uma carga autoral muito forte. Tinha como característica o questionamento aos dogmas religiosos, as paixões dominadoras e desacerbadas, uma forte carga erótica e um exagero lisérgico nas imagens.

Ken Russell teve uma rápida passagem pelo cinema americano. Fez dois filmes: a ficção científica psicodélica e descontrolada “Viagens Alucinantes” – e o denso “Crimes de Paixão”, no entanto o estilo pouco comercial e pouca sutileza do cineasta não agradou os grande$ e$túdio$. “Voltou à Inglaterra onde fez alguns poucos e bons filmes, como, por exemplo, o sobrenatural “Gothic” e o sensual “A Última Dança de Salomé”.

Além dos belos filmes, Russell deixa um exemplo de coragem e ousadia. O cineasta não abria concessão para os críticos e nem para os espectadores. Filmava com máxima honestidade e convicção o que ele achava melhor. Algumas vezes o resultado era exagerado e chocante, é verdade, mas quando acertava, criava obras de plena beleza. Não uma beleza apolínea de fácil digestão, mas uma beleza terrível, caótica e assombrosa.  

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Máquina do Mundo - Carlos Drummond de Andrade

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco


se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas


lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,


a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.


Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável


pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar


toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.


Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera


e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,


convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,


assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,


a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de


teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,


olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,


essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo


se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”


As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge


distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos


e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber


no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,


e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:


e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,


tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.


Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,


a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;


como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face


que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,


passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes


em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,


baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.


A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,


se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.


*Publicado originalmente em Claro Enigma.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Inquilino - 1976 - Roman Polanski


O Doppelgänge, ou, simplesmente, o duplo, é um dos temas mais utilizados e mais consagrados nas artes, principalmente na literatura e no cinema, em todos os tempos. Escritores como Stevenson, Borges, Dostoievski e Poe criam verdadeiros clássicos com essa temática. No cinema, os exemplos mais icônicos são: o poético “A Dupla Vida de Veronique” do mestre Kieslowski, o clássico expressionista “Estudante de Praga”, filme que teve duas versões: uma de 1913 e a melhor em 1926, estrelada pelo maravilhoso Conrad Veidt, e O Inquilino de 1976, pequena obra-prima sinistra de 1972 arquitetada pelo grande Roman Polanski e objeto de estudo deste humilde post.

No filme, conhecemos o polaco Trelkvsky (o próprio Polanski em interpretação alucinada), um burocrata de uma companhia de seguros que está à procura de um lugar para morar. Ele encontra um apartamento perfeito, porém para vir a morar lá, precisa esperar que se decida a morte da antiga dona, uma moribunda chamada Simone Choule, que tentou matar-se pulando deste mesmo apartamento.

Com a morte de Simone, Trelkovsky vai morar no apartamento. No entanto, o jovem começa a ficar obcecado pela antiga moradora e passa a acreditar que seus vizinhos estão conspirando para que ele se torne o inquilino anterior, com o objetivo de levá-lo também ao suicídio. O homem fica tão obcecado que começa a destruir sua personalidade e começa a se ver como o seu duplo espiritual, ou seja, passa a se ver como a Simone.

O filme é um prato cheio para os amantes das teorias psicanalíticas. Em um dos diálogos mais emblemáticos do filme, vemos Trelkvsky embriagado: Diz-me, em que preciso momento é que um indivíduo deixa de ser o que pensa que é? Cortas-me o braço. Digo ‘Eu e o meu braço’. Cortas-me o outro braço. Eu digo ‘Eu e os meus dois braços’. Tu tiras-me o estômago, os rins, presumindo que isso era possível e eu digo, ‘Eu e os meus intestinos’. E, agora, se me cortares a cabeça, eu diria ‘Eu e a minha cabeça’ ou ‘Eu e o meu corpo’? Que direito tem a cabeça de se apelidar eu mesmo?
Foda, não?

Completam ainda o elenco: Isabelle Adjani (Stella), inacreditavelmente feia, Melvin Douglas (Monsieur Zy), Jo Van Fleet (Madame Diouz) como os vizinhos sinistros que enlouquecem Trelkovsky. A atordoante fotografia de Sven Nykvist utilizando de sombras e tons escuros transformam o filme em uma experiência angustiante.  
O filme fecha com “chave de ouro” a “Trilogia dos Apartamentos” do diretor, inaugurada em 1965, com o genial “Repulsa ao Sexo”, seguido pelo excepcional o “Bebê de Rosemary” de 1969.     

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Alice ou a Última Fuga - 1977 - Claude Chabrol

O realizador francês Claude Chabrol tem normalmente seu nome associado à Nouvelle Vague, movimento cinematográfico que deu corpo e alma ao “cinema de autor”, suas críticas ácidas à burguesia e ao cinema de suspense. Em 1977, no entanto, em uma rara inclusão pelo cinema fantástico, fez um pequeno filme obscuro e pouco badalado “Alice ou a última fuga” (Alice ou la dernière fugu), uma pequena e assustadora obra-prima do gênero.

O Filme narra à história Alice Carol (clara alusão à Alice, de Lewis Carroll), interpretada de forma blasé e carregada no erotismo pela eterna “Emmanuelle” Sylvia Kristel, no auge de sua beleza, como uma esposa que decide abandonar o marido e a vida burguesa que já não suporta. Ela parte de carro, sofre um pequeno acidente, e vai parar em uma enorme e assustadora casa. Na mansão, Alice é recepcionada por um senhor que parecia já estar a sua espera e passa a viver um pesadelo bizarro e incrivelmente perturbador.

O filme é uma pequena pérola do cinema fantástico. Hermético e aberto a varias interpretações, tem uma conclusão sinistra que remete a ótimos filmes de horror feitos nos USA nos anos 70, como o clássico absoluto “O Bebê de Rosemary” de Polanski e a Sentinela dos Malditos, aliados ao surrealismo e ao delírio formal dos livros da série Alice de Lewis Carroll. Uma bela mistura!


sábado, 15 de outubro de 2011

Melancholia/ 2011 – Lars Von Trier



“O mundo é mau de fato, sendo assim, ninguém vai sentir falta dele” Justine, personagem de Kirsten Dunst no filme, tentando dar uma animada na irmã Claire (Charlotte Gainsbourg).

Dois anos após dar um tapa na orelha do mundo com o seu Anticristo, Lars Von Trier desfere agora uma pancada na boca do estômago da humanidade com o seu último trabalho, Melancolia.

O filme é divido em um prólogo e dois capítulos. O prólogo é representação de um sonho revelador da personagem Justine. Onírico e estiloso e retoma esteticamente o filme anterior do diretor, O Anticristo. Cada um dos capítulos tem o nome de umas das irmãs que são as personagens principais do filme.

A narrativa do primeiro, que se chama Justine, se inicia com o dia do seu casamento, mais especificamente em sua chegada à festa. Tudo muito suntuoso e belo, até que as máscaras começam a cair e os familiares e amigos da Justine começam a mostrar suas verdadeiras faces frente à câmera cambaleante de Trier. Sua mãe (magistralmente interpretada por Charlotte Rampling) é uma misantropa avessa à família. Seu Pai (John Hurt) é um fanfarrão alucinado que chama todas as mulheres de Beth, Claire (Charlotte Gainsbourg, novamente em interpretação genial) sua irmã organizada e controladora e Jack (Stellan Skargard), seu chefe, a segue pela festa pedindo que conclua um trabalho.

O Comportamento de Justine (Kirsten Dunst em interpretação premiada em Cannes merecidamente) também não é normal. Ela anda cambaleante pelo salão. Some das festividades para tomar um banho, depois para tirar uma soneca e por fim transa com um convidado ao invés de consumar o matrimônio com o seu noivo.
No final desse capítulo nos é revelado algo que justifica, de certa forma, essa festa surreal. Um planeta chamado Melancolia ruma em direção à órbita de terra e a chance de nosso planeta virar pó é iminente.

No segundo Capítulo, o casal formado por Claire e John (Kiefer Sutherland) tentam viver com o filho e Justine os poucos dias que restam para o cataclismo. Cheios de incertezas e desespero, com a proximidade da morte os papéis das irmãs se invertem. Claire passa a ser confusa e desequilibrada e Justine, apesar de deprimida e melancólica, indiferente e consciente.

Mais que um filme sobre o fim do mundo, Trier fez um estudo sobre a condição humana, a incompletude que nos acompanha, nossa limitação frente à morte e ao universo e sobre o silêncio de Deus. Não é um simples filme, mas uma experiência cinematográfica impar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Limite da Liberdade e o Politicamente Correto

Qual é o limite da liberdade de expressão?
Existe aquela famosa frase usada a exaustão, porém, bem aplicada à questão acima: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” Atribuída ao iluminista Voltaire.
Até onde é aceitável que uma pessoa se manifeste e exponha seu “ponto de vista”, mesmo que essa opinião desafie o senso comum?

É evidente que o direito de expressão não possa ser maior ou violar os direitos de personalidade. Se um humorista diz que comeria uma mulher grávida e o seu filho também, ele pode estar ferindo a honra e o bom nome dessa mulher gratuitamente e abusando da liberdade de expressão, e a ofendida tem todo o direito de se manifestar contrariamente e pedir uma retratação. A justiça está aí para justamente resolver essas celeumas e dizer quem tem razão ou não.

O ponto é outro. Uma pessoa pode escrever um livro elogiando o racismo? Um político pode emitir sua opinião preconceituosa a respeito da opção sexual dos outros?      
Um cineasta pode falar sobre a influência nazista em sua vida sem que o mundo o condene? É óbvio que o preconceito racial ou sexual e o nazismo (incluo aqui todos os regimes totalitários, tanto de esquerda como de direita) são manchas negras na história da humanidade e são ideologias a serem combatidas. Quando eu digo combatida, me refiro ao debate e à disputa de idéias e não a pura e simples proibição.

É claro que existem limites para a manifestação dos pensamentos. Por exemplo, nas hipóteses do parágrafo anterior, se o autor do livro incitar a violência contra alguma minoria; ou o político desferir ofensas ou acusações direta ou indiretamente a quem quer que fosse, eles estariam, sim, ultrapassando os limites da liberdade de expressão, pois como minha avó sempre diz: a sua liberdade termina onde começa a do outro.
Nessas ocasiões a sanção ou a censura se justifica e se torna necessária, mas só nessas situações.

O amplo debate, o confronto racional e aberto de idéias e opiniões é maneira mais honesta e democrática de resolverem-se essas pendengas. Acontece que é muito desgastante e cansativo pensar e debater. É muito mais fácil se postar como um paladino, vestir o manto politicamente correto, colocar-se acima do bem e do mal e censurar, reduzir ou estigmatizar com preconceitos os desafetos, ou seja, tornar-se aquilo que, pretensamente, estavam combatendo.

Esse texto está postado estrategicamente entre um poema e um comentário referentes a autores tão polêmicos quanto geniais, autores que admiro artisticamente, mas discordo de suas opiniões políticas: o norte americano Ezra Pound, poeta que contribuiu efetivamente para os caminhos tomados pela lírica modernista, e pelo cineasta dinamarquês Lars Von Trier e seu último filme Melancholia.  

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ezra Pound - Num Espelho

Tradução: Mário Faustino

Oh face estranha aí no espelho!
Companheiro libertino, sagrado anfitrião,
Oh meu bufão varrido pela dor,
Que responder? Oh vós miríade
Que labutais, brincais, passais,
Zombais, desafiais, vos contrapondo!
Eu? Eu? Eu?
E vós?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Irei Como um Cavalo Louco (J'irai comme un cheval fou) - Fernando Arrabal


Quando se pensa em arte, o nome de Fernando Arrabal é uma das mais fortes e influentes grifes. O espanhol é uma verdadeira lenda: Poeta, novelista, cineasta e dramaturgo que artisticamente primava pelo radicalismo e pela controvérsia, mas, paradoxalmente, de reconhecido sucesso (ele é, simplesmente, o artista espanhol mais encenado no mundo, além dos diversos prêmios conquistados pelo planeta afora), além de toda importância histórica que lhe é imputada, por ter participado efetivamente do grupo surrealista e ter criado, junto com Jodorowski, o movimento artístico denominado “Grupo Pânico”.

No cinema, Arrabal deu também as suas pauladas. Fez sete filmes cujo mais importante e mais famoso é “Irei Como um Cavalo Louco” (J'irai comme un cheval fou)-França/1973. O filme, como comum na obra do espanhol, é um completo, furioso e brutal ataque à lógica e aos bons costumes da sociedade ocidental, e narra de maneira alegórica a história de Aden (George Shannon), um homem que foge da sociedade depois da morte de sua castradora mãe. Em um deserto, conhece Marvek, um selvagem que consegue se comunicar com a natureza (animais, Sol e nuvens) e tornam-se amigos inseparáveis. De volta à sociedade, a dupla faz uma dura e desafiadora caminhada dentro da boçalidade das instituições ocidentais.

Escatológico, terrível, cruel e surreal são apenas alguns possíveis adjetivos que “Irei como um cavalo louco” despertam nos olhos de quem vê o filme. Não é para todos os gostos, mas se você está cansado de ver filmes que de tão industrializados quase não respiram e repetem sempre as mesmas situações e personagens, vale a pena dar uma passeada pelo mundo delirante, terrível e belo de Arrabal.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fernando Pessoa em Odes de Ricardo Reis


Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
                        Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
                        E cala. O mais é nada. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Inverno de sangue em Veneza (Don´t look now) 1973 – Nicolas Roeg


Nicolas Roeg já era um diretor de fotografia consagrado (já havia trabalhado com Truffaut, Lean, e Schlesinger, entre outros) quando debutou como diretor aos 43 anos com o experimental “Performance” (1970), porém foi em 1973 que o realizador inglês criou um dos filmes mais cultuados e influentes da história do cinema .

Inverno de sangue em Veneza (Don´t look now) é aquele tipo de filme grandioso que transcende os gêneros. Atravessa, com maestria e perfeição, o drama psicológico, passa pelo suspense policial e terminando, enfim, no horror.

O filme se inicia mostrando a tragédia da família Baxter. Certo dia, o casal John (Donald Sutherland) conversa tranquilamente em casa com sua esposa Laura (Julie Christie), enquanto seus filhos brincam inocentemente nos arredores da residência. Subitamente, a filha do casal se afoga acidentalmente ao mesmo tempo em que John sente que algo está errado e corre para fora da casa. Chega tarde, pois a menina já esta morta. Ele a pega nos braços e protagoniza uma das cenas mais poética e dolorosa já feita.

A ação se desloca para Veneza, aonde John vai com a esposa para executar um trabalho um tempo depois da incidente. Na bela cidade italiana, o casal conhece duas velhas e macabras irmãs. Uma delas, além de cega, diz possuir habilidades paranormais e consegue visualizar a filha morta do casal. Laura fica tocada com a possibilidade de comunicar-se com a filha. John, muito cético a tudo isso, fica distante e se concentra em seu trabalho.

A trama segue mostrando que há um serial-killer agindo ma cidade. As velhas advertem Laura que John corre perigo se ficar na cidade, e a esposa tenta convencer seu marido a encontrar com as irmãs ao mesmo tempo em que ele começa a ver imagens de sua filha correndo nas ruas com a mesma capa vermelha que usava quando morreu. John segue a imagem e vai descobrir bem mais do que estava procurando.

Poético e arrebatador são adjetivos que traduzem o resultado alcançado por Roeg no filme. A perfeição do roteiro escrito por Allan Scott e Chris Bryant consegue amarrar todas as pontas de maneira eficaz. A fotografia gelada, lúgubre e distante, apenas quente quando aparece a capa vermelha da menina, dá uma aura fantasmagórica e onírica às ruas e vielas claustrofóbicas, labirínticas de Viena. A belíssima trilha sonora acentua toda a carga assustadora e dramática das cenas. E, enfim, o elenco. Christie e, principalmente, Sutherland se entregam com vigor e intensidade aos papéis.

Uma obra-prima do cinema fantástico que merece ser vista, ou revista!

O Hierofante - Oswald de Andrade

Não há possibilidade de viver
Com essa gente
Nem com nenhuma gente
A desconfiança te cercará como um escudo
Pinta o escaravelho
De vermelho
E tinge os rumos da madrugada
Virão de longe as multidões suspirosas
Escutar o bezerro plangente

terça-feira, 23 de agosto de 2011

The Adventures of Lil Cthulhu



Para aproveitar a fase "Lovecraft" que estamos passando lá em casa, um desenho muito louco com o pequeno Cthulhu.
Bons pesadelos!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Dave McKean

O multiartista inglês Dave McKean é um dos meus heróis da adolescência!

McKean, em sua longa e prolifera parceria com o roteirista e escritor inglês Neil Gaiman, participou da geração que elevou o status e qualidade dos quadrinhos em meados dos 80 e início 90 da qual faziam parte - além do criador de Sandman- os geniais Grant Morrisson e Alan Moore, além de causar muitos pesadelos e prazeres estéticos na minha cabeça de adolescente.

O ilustrador trabalhou com outros artistas em obras de prestígio (Com Grant Morrisson, por exemplo, fez o Asilo Akham), mas foi ao lado de Gaiman que chegou a resultados impressionantes e perfeitos, como fica evidente em obras como: Violent Cases, Orquídea Negra, Coraline, e as Famosas capas da Revista Sandman.
A parceria ainda pode ser vista no filme A Máscara da Ilusão, escrito por Gaiman e dirigido por Mckean em 2005.

Alguns trabalhos de McKean:












para conhecer mais: http://www.mckean-art.co.uk//

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A hora do lobo “Vargtimmen” (1968) - Ingmar Bergman




“A arte é feita para perturbar, a ciência tranqüilizar.
Na arte só uma coisa importa: aquilo que não se pode explicar.
O quadro está acabado quando apagou a idéia que o motivou.”

Georges Braque

“A grandeza de uma obra de arte está fundamentalmente no seu caráter ambíguo, que deixa ao espectador decidir sobre o seu significado".

Theodor Adorno


A hora do lobo “Vargtimmen” (1968) é o filme mais hermético de Bergman e um dos mais impressionantes concebidos na história do cinema.

Filme repleto de sombras obscuras, imagens fantasmagóricas e de difícil entendimento, Vargitimmen narra em flashback as memórias Johan Borg (Max von Sydow), um pintor atormentado de difícil temperamento que azucrina sua dedicada e sensível esposa Alma (Liv Ulmann). Ao receber a visita de uma senhora bizarra vestida de branco (um fantasma, talvez?), a esposa descobre que o marido possui um diário e seguindo o conselho da velha, Alma começa a ler o livro e nos arrasta junto com eles, a esposa e o pintor, para um pesadelo desesperador.

Filmaço do mestre Bergman onde o espectador não vai ter vida fácil para decifrar suas imagens delirantes e seus símbolos ambíguos. Não se sabe o que está acontecendo. Não fica claro se tudo não passa de um sonho, ou de um delírio ou uma manifestação fantasmagórica. Se for um sonho ou delírio, não se sabe quem sonha.

Além das presenças dos bergmanianos já citados: von Sydow e Ulmann, completa o elenco Ingrid Thulin- outra habitual colaboradora do diretor- e o maravilhoso fotografo Sven Nykvist que, em parceria com Bergman, criou as mais belas imagens da história do cinema.
Grande Filme!


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nunca me abandone – Mark Roamanek/2010


Contém Spoilers:

Algumas pessoas têm medo de filmes de terror. Nesses filmes, assassinos seriais e entidades sobrenaturais sedentas de sangue dizimam pessoas dos meios mais variados. Eu, por outro lado, me divirto muito nesses filmes. Posso até ficar tenso e apreensivo em alguns momentos, mas, terminado o filme, a catarse se vai e a realidade volta aos meus olhos e minha cabeça se enche de outras preocupações mais prosaicas e realistas.

Filmes que me causam muito medo são aqueles que mostram como a vida humana é breve, sem sentido e frágil, e como o ser humano pode ser capaz de praticar atos abomináveis, egoístas e violentos. É justamente por isso que considero o sueco Ingmar Bergman o maior gênio do cinema. Sua filmografia percorria tais assuntos com maestria e delicadeza. Esse post, entretanto, não é sobre Bergman... é sobre o grande filme “Não me abandone jamais” (Never Let Me Go) , do diretor americano Mark Romanek. O filme é belo e apavorante no sentido a que me refiro no inicio do parágrafo.

Baseado no cultuado romance homônimo de Kazuo Ishiguro e adaptado para o cinema pelo romancista e roteirista inglês Alex Garland, o filme narra de maneira soturna e melancólica o triângulo amoroso entre três clones humanos: Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield) e Ruth (Keira Knightley), desde a infância em um colégio interno até a época em que, já adultos, serão “sacrificados” para “doar” seus órgãos vitais para humanos autênticos.

O filme toca em tantos temas que valeriam ser discutidos: Desde a ética na ciência, passando por liberdade e vigilância governamental até alienação juvenil, mas, para mim, o aspecto mais significativo tratado na obra é aquilo que atormenta o homem desde os seus primórdios. A eterna dúvida, o descontentamento sem fim que faz da vida essa aventura inexata: o horror existencial!

Esse horror que me acompanha há uns bons anos que certa noite, ainda criança, perdido em pensamentos, me veio à cabeça a noção que meu corpo um dia iria parar e minha mente não mais funcionaria. Esses pensamentos voltam aparecer em minha cabeça de tempos em tempos e, pelo menos para mim, tem um aspecto muito positivo, pois me faz valorizar e amar mais ainda a vida e cada evento que pontua minha existência e principalmente as pessoas que vivem ao meu lado.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Stanley Kubrick, fotógrafo!

Antes de vir a ser um dos maiores gênios da história do cinema, Kubrick foi um fotógrafo precoce (contratado com apenas 17 anos pela conceituada e já extinta revista americana Look) e muito talentoso, como se vê nessa pequena coletânea de fotos que cobre o período de 1945 a 1950.

Kubrick conseguiu um contrato com a Look após mandar para a revista a famosa foto do jornaleiro triste ao lado da manchete da morte de Roosevelt, então presidente dos EUA.

Cuidadoso ao extremo com o enquadramento, seus modelos posam com elegância e dramaticidade. Há também nas fotos um forte jogo de sombra e luz, características presentes também em seus filmes.

Mais fotos:

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Edward Steichen


The Pond-Moonlight (1904)

The Flatiron, 1904

The Big White Cloud, Lake George - 1903

quinta-feira, 17 de março de 2011

Transmission - Joy Division





Criativa versão em stop motion do clássico do Joy Division com os bonecos Playmobil.
Puta aula!

Naoto Hattori

As Vanguardas Européias foram movimentos artísticos dos períodos entre guerras do século passado que definiram e inauguraram a modernidade nas artes em geral. Esses movimentos lançaram novas concepções artísticas e revolucionárias e romperam com as estéticas precedentes de uma forma que nunca havia sido feito anteriormente.

Dentre seus movimentos, o Surrealismo que, se não foi o mais revolucionários deles, foi sem dúvidas o que menos sofreu o desgaste do tempo. Haja vista que hoje, 87 anos depois da publicação do Manifesto Surrealista escrito por André Breton, existe uma grande quantidade de artistas dos mais variados meios de expressão que ainda utilizam os principais preceitos do movimento, como a valorização do inconsciente em suas atividades criativas, por exemplo.

O japonês Naoto Hattori é um desses artistas contemporâneos que bebe nas fontes do surrealismo. Formado Design Gráfico em Tóquio e depois na School of Visual Arts de Nova York - o artista, que tem um estilo delirante e lisérgico, está fazendo o sucesso nos States, onde ganhou  prêmios por alguns de seus trabalhos publicados em revistas e participou de algumas exposições em galerias badaladas como a Roq la Rue, de Seattle e a Fuse Galery em NYC.

Algumas Imagens de Hattori:

Para ver e saber mais clique aqui.