terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tetro - 2010 Francis Ford Coppola


As relações familiares e as tragédias melodramáticas são temas recorrentes na filmografia do cineasta americano Francis F. Coppola. Na trilogia “O Poderoso Chefão”, embora tingida em sangue e banhada em violentos tiroteios, a trama se desenvolve no conturbado núcleo familiar dos Corleones, sempre pontuado por trágicos desfechos. Em “O Selvagem da Motocicleta (1983)”, a incomum e destruída família formada pelo "Pai" beberrão (Dennis Hopper), pelo "Motorcycle Boy" (Mickey Rourke) e por "Rusty James" (Mat Dilon) é o elemento mais importante da história, principalmente o relacionamento dos irmãos.

Em Tetro (2010), Copolla volta a perseguir justamente esses mesmo temas, atualizando a máxima de Borges que diz que: os escritores contam sempre a mesma história. O filme se concentra no relacionamento de dois irmãos: Tetro (Vincent Gallo em ótima atuação) um escritor mal sucedido e mal humorado que foge de seu passado e de sua família por conta do péssimo relacionamento que tem com seu pai, um maestro famoso e controlador; e Bernie(Alden Ehrenreich, em interpretação satisfatória) um ajudante de garçom que trabalha em um cruzeiro e tem grande admiração pelo irmão. Nesse re-encontro o passado dos dois vem à tona e revelam-se segredos de grande carga dramática e trágica.

Filmada na bela Buenos Aires em um preto e branco mais belo ainda, Tetro é um filme que conquista e emociona os espectadores, ainda que irregular em seu ritmo e com alguns tropeços no roteiro - as passagens da viagem das personagens para a Patagônia, por exemplo, são completamente desnecessárias dispensáveis e nada acrescentam no desenvolver da história, como há também algum exagero na dramaticidade em algumas passagens e uma enxurrada de personagens mal desenvolvidos: a Alone, personagem de Carmem Maura, por exemplo.

Tecnicamente o filme é bem acabado. As escolhas estéticas cultivadas por Copolla em toda sua carreira, aqui falam alto: a fotografia poética, a trilha sonora saturada de emoção e a direção de atores competentíssima. Destaque para, além da já citada interpretação  do protagonista, o trabalho da Maribel Verdú como a fiél e sensível Miranda e para o trabalho de Klaus Maria Brandauer, como prepotente Maestro Carlo, Pai de Tetro.

Tetro não está entre os melhores filmes que Copolla fez na vida, mas também não está entre os piores. Até entendo a decepção que muita gente sentiu ao ver o filme por sua irregularidade, mas há uma inegável evolução entre esse e seus três últimos trabalhos: Jack (1996), e O Homem Que Fazia Chover(1997) Youth Without Youth (2007) -  esses sim, grandes porcarias - além de evidenciar o grande esforço de um homem que ganhou o mundo a nas décadas de 70 e 80 do século passado fazendo filmes magníficos a voltar a fazer filmes mágicos e relevantes.     

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Parabéns, Maior do Mundo!

Hoje, dia 17 de dezembro é o aniversário(oficial) do Clube mais vitorioso do Futebol Brasileiro: O São Paulo Futebol Clube!!!!

Parabéns, Maior do Mundo!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Três poemas de Bukowski


montanhas mongóis brilham na luz

montanhas mongóis brilham na luz,

ouço o pulsar do sol,

o tigre é o mesmo para todos nós

e alto oh

bem alto no ramo

o rouxinol

canta.


O Olhar:

Uma vez comprei um coelho de peluche
num grande armazém
e agora ele passa o tempo sentado a olhar-me
com os seus pequenos olhos cor-de-rosa:

Ele quer bolas de golfe e paredes
de vidro.
Eu quero a calma da tempestade.

A nossa desilusão descansa entre nós.

verdade

uma das melhores passagens de Lorca
é
“agonia, sempre
agonia…”
lembra-te disso quando
matares
uma barata ou
pegares numa lâmina para
fazer a barba
ou acordares de manhã
para
enfrentar o
sol.

A tradução dos três poemas foi feita por Manoel A. Domingos e estão disponíveis, entre outros poemas do "Velho", no excelente blog: http://oamorumcodoinferno.blogspot.com/ , de sua autoria.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Pássaro Azul - Charles Bukowski


Tradução: Pedro Gonzaga

Há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí,não deixarei que ninguém o veja.
Há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
Há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo ?
(…) Há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
Eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
Depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você ?”