sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tarsila do Amaral


1 de Setembro de 1886, em Capivari, interior de São Paulo, nascia uma das maiores artistas plásticas brasileiras: Tarsila Do Amaral.

A pintora junto de Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia foi figura central da primeira fase modernista brasileira e o seu quadro  O Abaporu de 1928, um dos mais representativos e conhecidos da história, inaugurou o Movimento Antropofágico nas artes plásticas brasileiras.

A artista foi fortemente influenciada pelo cubismo e pelo surrealismo, e introduziu os preceitos daqueles movimentos no universo brasileiro das lendas regionais, e do cotidiano e das paisagens do Brasil.

Tarsila do Amaral faleceu na cidade de São Paulo em 17 de janeiro de 1973.

Para saber mais:
http://www.tarsiladoamaral.com.br/
O Abaporu - 1928

O Ovo ou o Urutu - 1928

Sol Poente - 1929

O Sonho - 1928
Estudo(Nu) - 1928 

Antropofagia - 1929

A Lua - 1928

A Cuca - 1924

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Caixa - 2009


Richard Kelly é um cara curioso. Desde sua estréia com o excepcional Donnie Darko em 2001, muita gente, inclusive eu, acompanha seus filmes com uma curiosidade extra e com grande expectativa. Talvez por esse motivo seus dois últimos filmes, o tortuoso Sutherland Tales de 2006 e o insípido A Caixa de 2009 tenham recebido uma enxurrada de criticas descontentes e severas.

Baseado no conto “Button, Button”, de Richard Matheson, publicado em junho de 1970 na Revista Playboy, e já adaptado para o seriado além da imaginação em 1985, o filme The Box tem uma premissa interessante e instigante: Em um subúrbio calmo moram e Norma Lewis (Cameron Diaz)  uma professora casada com Arthur (James Marsden), um engenheiro que trabalha para a NASA e o filho. O casal, que passa por momentos de instabilidade financeira e profissional, recebe a visita do sombrio e misterioso Arlingston Steward (Frank Langella, ótimo), que faz uma proposta simples e peculiar à Norma: se Norma e Arthur apertarem um botão em uma caixa, alguém que eles não conhecem morrerá, e o casal embolsará 1 milhão de dólares.

Venhamos e convenhamos, esse é um excelente mote para um filme. Dá para imaginar inúmeras situações ricas em drama, horror e suspense que podem render dessa premissa. Assim como os questionamentos éticos morais e filosóficos que poderiam ser explorados, mas, em minha opinião, Kelly perdeu a mão.

O diretor/roteirista parece que quando escrevia o filme, teve um transe criativo e tentou encher o filme de tudo que estava na sua cabeça: Ficção - cientifica, metafísica, conspiração governamental, substratos filosóficos e subtramas desordenadas deixando o filme arrastado e confuso. Kelly, que já havia derrapado no Sutherland Tales pelos mesmos motivos errou de novo.

Longe de ser o pior do filme do mundo, como tem  muita gente dizendo por ai, o filme tem algumas qualidades: Da ordem técnica vale destacar a fotografia e a direção de arte que capricha na caracterização dos anos 70, período que o filme cobre. O trabalho do elenco é razoável. Além da notável, enigmática e sinistra personificação de Langella, os trabalhos de Cameron Diaz e James Marsden são satisfatórios. E a trilha sonora é competente e consegue manter certo suspense, mas tudo isso é pouco para segurar o filme.

Regular. Vamos o aguradar o próximo trabalho de Kelly.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O Barco Bêbado - Arthur Rimbaud

Quando eu atravessava os Rios impassíveis,
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetaram nus em postes multicores.

Eu era indiferente à carga que trazia,
Gente, trigo flamengo ou algodão inglês.
Morta a tripulação e finda a algaravia,
Os Rios para mim se abriram de uma vez.

Imerso no furor do marulho oceânico,
No inverno, eu, surdo como um cérebro infantil,
Deslizava, enquanto as Penínsulas em pânico
viam turbilhonar marés de verde e anil.

O vento abençoou minhas manhãs marítimas.
Mais leve que uma rolha eu dancei nos lençóis
das ondas a rolar atrás de suas vítimas,
dez noites, sem pensar nos olhos dos faróis!

Mais doce que as maçãs parecem aos pequenos,
A água verde infiltrou-se no meu casco ao léu
E das manchas azulejantes dos venenos
E vinhos me lavou, livre de leme e arpéu.

Então eu mergulhei nas águas do Poema
do Mar, sarcófago de estrelas, latescente,
Devorando os azuis, onde às vezes – dilema
Lívido – um afogado afunda lentamente;

Onde, tingindo azulidades com quebrantos
E ritmos lentos sob o rutilante albor,
Mais fortes que o álcool, mais vastas que os nossos prantos,
fermentam de amargura as rubéolas do amor!

Conheço os céus crivados de clarões, as trombas,
Ressacas e marés: conheço o entardecer,
A Aurora em explosão como um bando de pombas,
E algumas vezes vi o que o homem quis ver!

Eu vi o sol baixar, sujo de horrores místicos,
Iluminando os longos glaciais;
Como atrizes senis em palcos cabalísticos,
Ondas rolando ao longe os frêmitos de umbrais!

Sonhei que a noite verde em neves alvacentas
Beijava, lenta, o olhar dos mares com mil coros,
Soube a circulação das seivas suculentas
E o acordar louro e azul dos fósforos canoros!

Por meses eu segui, tropel de vacarias
Histéricas, o mar estuprando as areias,
Sem esperar que aos pés de ouro das Marias
Esmorecesse o ardor dos Oceanos sem peias!

Cheguei a visitar as Flóridas perdidas
Com olhos de jaguar florindo em epidermes
De homens! Arco-íris tensos como bridas
No horizonte do mar de glaucos paquidermes.

Vi fermentarem pântanos imensos, ansas
Onde apodrecem Leviatãs distantes!
O desmoronamento da água nas bonanças
E abismos a se abrir no caos, cataratantes!

Geleiras, sóis de prata, ondas e céus cadentes!
Náufragos abissais na tumba dos negrumes,
Onde, pasto de insetos, tombam as serpentes
Dos curvos cipoais, com pérfidos perfumes!

Ah! se as crianças vissem o dourar das ondas,
Áureos peixes do mar azul, peixes cantantes...
– As espumas em flor ninaram minhas rondas
E as brisas da ilusão me alaram por instantes.

Mártir de pólos e de zonas misteriosas,
O mar a soluçar cobria os meus artelhos
Com flores fantasmais de pálidas ventosas
e eu, como uma mulher, me punha de joelhos...

Quase ilha a balouçar entre borras e brados
De gralhas tagarelas com olhar de gelo,
Eu vogava, e por minha rede os afogados
Passavam, a dormir, descendo a contrapelo.

Mas eu, barco perdido em baías e danças,
Lançado no ar sem pássaros pela torrente,
De quem os Monitores e os arpões das Hansas
Não teriam pescado o casco de água ardente;

Livre, fumando em meio às virações inquietas,
Eu que furava o céu violáceo como um muro
Que mancham, acepipe raro aos bons poetas,
Líquens de sol vômitos de azul escuro;

Prancha louca a correr com lúnulas e faíscas
E hipocampos de breu, numa escolta de espuma,
Quando os sóis estivais estilhaçam em riscas
O céu ultramarino e seus funis de bruma;

Eu que tremia ouvindo, ao longe, a estertorar,
O cio dos Behemóts e dos Maelstroms febris,
Fiandeiro sem fim dos marasmos do mar,
Anseio pela Europa e os velhos peitoris!

Eu vi os arquipélagos astrais! e as ilhas
Que o delírio dos céus desvela ao viajor:
– É nas noites sem cor que te esqueces e te ilhas,
Milhão de aves de ouro, ó futuro Vigor?

Sim, chorar eu chorei! São mornas as Auroras!
Toda lua é cruel e todo sol, engano:
O amargo amor opiou de ócios minhas horas.
Ah! que esta quilha rompa! Ah! que me engula o oceano!

Da Europa a água que eu quero é só o charco
Negro e gelado onde, ao crepúsculo violeta,
Um menino tristonho arremesse o seu barco
trêmulo como a asa de uma borboleta.

No meu torpor, não posso, ó vagas, as esteiras
Ultrapassar das naves cheias de algodões,
Nem vencer a altivez das velas e bandeiras,
Nem navegar sob o olho torvo dos pontões.

(Tradução de Augusto de Campos)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vai Ter Casório...

Por: Rogério M. Braga

Obrigado pelo presente, Braga. Apreciamos muito.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Fernando Pessoa - Hora Morta

Lenta e lenta a hora
Por mim dentro soa
(Alma que se ignora !)
Lenta e lenta e lenta,
Lenata e sonolenta
A lua se escoa...

Tudo tão inútil !
Tão como que doente
Tão divinamente
Fútil - ah, tão fútil
Sonho que se sente
De si próprio ausente...

Naufrágio ante o ocaso...
Hora de piedade...
Tudo é névoa e acaso
Hora oca e perdida,
Cinza de vivida
(Que Poente me invade?)
Porque lenta ante olha
Lenta em seu som,
Que sinto ignorar ?
Por que é que me gela
Meu próprio pensar
Em sonhar amar ?

quinta-feira, 1 de abril de 2010