quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Onde Vivem os Monstros - Spike Jonze (2008)


Um conto melancólico sobre o a infância. É a melhor síntese que mes vem à cabeça para resumir o filme Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are) do hiper-cultuado Spike Jonze. Baseado no livro infantil do escritor de Maurice Sendak, o filme conta a epopéia mental do garoto Max (Max Record) uma garoto com uma fértil imaginação e problemas comportamentais.

O garoto está confuso com as mudanças em sua vida, sua zona de proteção está abalada: Sua irmã, que antes era sua companheira de brincadeiras está crescendo e já não lhe dá atenção. Sua mãe, interpretada competentemente por Catherine Keener, está prestes a começar um relacionamento. Todas essas mudanças deixam Max confuso e revoltado. Depois de uma briga familiar, ele foge e vai parar em um mundo mágico habitado por monstros que fazem do garoto rei do local.

Quase todos os monstros da ilha são nada mais que desdobramentos da personalidade de Max, cada um deles reflete uma característica do garoto e sua aventura será como uma jornada ao amadurecimento.
A escolha de Jonze de utilizar poucos efeitos especiais para a composição dos monstros foi um grande acerto. Apenas as feições das criaturas são animadas eletronicamente, o que abriu espaço para a interpretação dos atores que enriqueceu artisticamente o filme. Carol (interpretado por James Gandolfini) é a confusão do garoto; Alexander( Paul Dano) é a carência do garoto; Judith (Catherine O'Hara) a agressividade; Ira (Forest Whitaker) a criatividade. Há ainda na ilha KW (Lauren Ambrose), criatura que é uma síntese da mãe e da irmã do garoto.

O roteiro escrito por Jonze e por Dave Eggers é formidável! Mescla perfeitamente fantasia e realismo necessários para desenvolver de forma satisfatória a trama.
Entretanto, por sua riqueza simbológica e por sua relativa lentidão, o filme não indicado para crianças, que certamente se divertiriam que a caracterização dos monstros, mas não chegariam ao entendimento do filme.


A fotografia do filme e de Lance Acord, habitual colaborador do diretor, cria uma textura opressora e depressiva, exteriorizando assim a confusão mental do garoto.
A trilha sonora também tem essa função. Composta e executada por Karen O. é perfeita. Transmite toda a inocência e a estranheza presente no filme.


A meu ver, o grande mérito do filme é a lição de mão dupla sobre como adultos não entendem crianças...e como crianças têm dificuldade em captar as expectativas dos adultos. É difícil demais crescer! Muitas vezes é um processo doloroso.Implica em perder algo, abrir mão de certas coisas...assumir responsabilidades. Lidar com crianças, por sua vez, implica em deixar a racionalidade de lado, em alguns momentos, e lembrar que um dia desses, ainda tínhamos a mesma visão das coisas.
Esse filme é maravilhoso! Uma esquerda com luvas de pelica...bem no alvo!
Perfeito, é um filme para as crincas que vivem em nós, adultos.

Texto escrito por Gambs e Eraserhead.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Adélia Prado - A Serenata

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que ele vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Embriagados de Amor (2202) P.T.Anderson



Paul Thomas Anderson é um diretor à frente dos seus iguais. Seu nome está ligado a uma geração de realizadores que cresceu e aprendeu fazer filmes assistindo os clássicos da sétima arte. Os cineastas de VCR, como ficaram conhecidos, e tinham em suas fileiras figuras badaladas como Kevin Smith e Quentim Tarantino. P. T. Anderson não conseguiu a popularidade do primeiro e nem a fama do segundo, mas tem uma filmografia irretocável. Da sua cabeça saíram alguns dos melhores filmes dos últimos 20 anos – Hard Eigth (1996), Boogie Nights(1997), Magnólia(2002), Embriagados de amor “ Punch-Drunk Love” (2002) e Sangue Negro “There Will Be Blood” (2008) - e, na minha humilde opinião, ele é o mais talentos e relevante Diretor americano dessa safra.



Embriagado de Amor é a comédia romântica de P. T. Anderson e apesar da trama, inicialmente, não ser muito diferente do que vemos por ai, o filme apresenta conclusões e situações originais e corajosas, bem ao seu estilo. Só para lembrar, estamos falando do mesmo cineasta que fez chover sapos em um filme, e em outro, fez um épico do universo dos filmes pornôs.



No filme, conhecemos Barry Egan (Adan Sandler), um empresário frustrado e problemático que vende desentupidores. Tudo em sua vida está desmoronando, desde sua vida profissional até seus relacionamentos pessoais. Egan freqüentemente tem ataques de fúria e de choro. É um comprador compulsivo de caixas de pudim, para acumular cupons de promoção que lhe valem milhagens aéreas e isso é tudo que o deixa menos infeliz na vida.



Certo dia é apresentado à misteriosa Lena Leonard (Emily Watson), amiga de uma de suas irmãs. Barry se apaixona por Lena, e tudo muda em sua vida. Egan passa a acreditar que sua atormentada e sem sentido existência pode ser melhor. Vai à procura de seu amor e vai lutar por ele, nem que para isso ele tenha que enfrentar uns mafiosos do outro lado do país.



O elenco ainda conta com o sempre brilhante Philip Seymour Hoffman, como um mafioso que passa a perseguir Egan, mas é a interpretação da dupla de protagonistas é que rouba o filme. Watson mantém sempre a excelência em seu trabalho, mas Sandler consegue uma atuação surpreendente e inspirada. Acostumado a fazer aquele humor acéfalo e grosseiro que sempre faz sucesso, caracteriza com apetite e entrega Barry Egan. Dá à personagem a carga dramática e cômica necessária. Certamente é o papel de sua vida.



O trabalho de direção de Anderson é como sempre deslumbrante. No filme encontramos sua assinatura técnica e estética: seus planos-seqüências elegantes, seus closes e seus enquadramentos inusitados, seus focos narrativos exóticos e suas composições de personagens bem cuidadas e seus símbolos surrealistas presentes no roteiro. A fotografia (ora carregada, ora contida), funciona muito bem expandindo o universo psíquico e o estado de espírito de Egan. E a trilha sonora de Jon Brion bem como a edição de som dá ritmo ao filme, ora isolando entre silêncios Sandler, ora servindo de pilar para a sua interpretação.



Apesar de todas as estranhezas presentes no filme, Embriagados de amor é um filme romântico e tem como matéria-prima o amor. E mesmo caminhando dentro desse universo explorado a exaustão, P T. Anderson consegue um resultado extremamente original e inteligente. UM belo filme! Para ver apaixonado, ou não.

The Fly - U2 (Live ZOO TV)



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain - 2001



“Em um mundo tão morto, Amelie prefere sonhar até que ela tem idade suficiente para sair de casa” o narrador.

Sensível, inteligente, romântico, imprevisível, dinâmico, alucinado e original são só alguns e os mais óbvios predicados que saltam aos olhos dos espectadores depois de assistirem a “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001) do diretor francês Jean-Pierre Jeunet .


Com uma trama simples, mas contada de maneira fantástica, conhecemos a história de Amélie (Audrey Tautou), desde sua infância, quando por conta de um problema cardíaco imaginado por seu pai, a garota é criada isolada do mundo.
Educada pela mãe carinhosa (que morre ainda no começo do filme, deixando a garota mais isolada ainda) e tendo pouco contato com o pai e em companhia de seu animal de estimação, um peixinho dourado suicida e sem amigos, Amélie teve uma formação inusitada. Cresceu sem malícia, sem maldade e com uma grande e fértil imaginação.


Tais características acompanharam Amélie até a sua maioridade, e a fazem ser uma pessoa diferente, altruísta e romântica e, de forma sutil, a garota influencia a vida de uma série de pessoas que a cercam. Tudo começa quando Amélie encontra em seu apartamento, uma caixinha de brinquedos escondida há anos. A garota decide entregar para o antigo dono do apartamento, um senhor solitário que se emociona ao encontrar os antigos pertences.


 Satisfeita pelo resultado de sua ação, Amélie passa a usar a sua imaginação para criar planos para mudar a vida de todos. A jovem une um casal, dá esperança a uma vizinha, se aproxima do pai e ainda de sobra conquista o seu grande amor, o maluco Nino Quincampoix

.
Entre as diversas qualidades do roteiro escrito por Guillaume Laurant, vale lembrar a divertida apresentação das personagens, onde cada uma se apresenta mostrando uma coisa que gosta de fazer. E os insights filosóficos que pontuam o filme: “Quando o dedo aponta para o céu, o imbecil olha para o dedo” diz uma das personagens.


Entre os fatores que agregam qualidade ao filme vale destacar o trabalho do elenco. Mathieu Kassovitz, Rufus, Dominique Pinon, Jamel Debbouze estão excelentes. Mas é prefeita e adorável a caracterização de Amélie pela atriz francesa Audrey Tautou. Com seu olhar assustado e suas feições admiradas dão à doçura necessária que a personagem necessita.


A trilha sonora a fotografia também fazem parte desse rol. A primeira, composta e executada pelo multi-instrumentista francês Yann Tiersen que dá destaque ainda mais ao lado romântico e mágico do filme. A fotografia bem cuidada, como em todos os filmes de Jenuet, tende um pouco ao exagero, mas de maneira positiva valoriza as cores e a luminosidade do filme. Tal aspecto salienta o ar fabulesco e onírico da história.


Uma comédia romântica que supera todas as expectativas, muito mais que um entretenimento descompromissado, o filme apresenta uma bela mensagem a respeito da vida e do jeito que às vezes nós a estamos levando. Um filme que encanta, diverte e emociona na mesma proporção.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mike Mitchell

Quem disse que só há porcaria na internet?
Estava eu, em um momento de ócio relaxamento e coçando navegando na intenet quando achei um blog com ilustrações bacanérrimas.
Mick Mitchell, uma artista digital americano que tem um estilo peculiar, mergulha no universo pop e brinca com alguns de seus ícones - Batman, Guerra nas Estrelas, Mickey, entre outros – de maneira irônica e bizarra.

Abaixo, alguns de seus desenhos:



 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para ver mais:
http://www.sirmikeofmitchell.com
http://mikepmitchell.blogspot.com

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças - 2004


“Feliz o destino da inocente donzela, esquecendo o mundo e sendo esquecido por ele, brilho eterno de uma mente sem lembranças; Toda prece é ouvida, toda graça é alcançada.”
Alexander Pope

“Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos."
Friedrich Wilhelm Nietzsche

O Filme de amor escrito pelo mindfucker master, Charles Kaufman, e dirigido pelo francês Michel Grondy, seu habitual colaborador, é uma daquelas obras que dividem opiniões em extremos. É simples: uns amam, e outros odeiam. Enquanto uns vêem como vício sua montagem fragmentada, seus confusos saltos temporais e sua excentricidade narrativa, outros, categoria a qual me incluo, vêem como virtudes.



Um dos melhores filmes da década - Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of a Spotless Mind / EUA, 2004 – conta de maneira inusitada e criativa a história de amor entre o caladão Joel (Jim Carrey em ótima atuação) e maluquinha de cabelos multicoloridos Clementine ( a sempre excelente Kate Winslet).

O casal tem personalidades antagônicas. Enquanto o homem é retraído e introspectivo. “ Por que me apaixono por toda mulher que me dá qualquer tipo de atenção?” escreve sobre si em seu diário. A mulher é atirada, extrovertida e impulsiva. “Muitos caras acham que eu sou um conceito e que eu os completo, ou que eu vou dar vida a eles. Mas eu sou só um garota ferrada procurando pela minha paz de espírito." diz sobre si, em uma parte do filme.



O casal rompe e Joel fica inconformado com a atitude de Clementine, que através de um moderno procedimento médico remove às lembranças do relacionamento dos dois. Revoltado por ter sido “deletado” das memórias da namorada, Joel resolve dar o troco na mesma moeda, e em meio a processo de remoção de memórias, o rapaz analisa melhor seu relacionamento e tenta de todo jeito esconder suas doces lembranças do procedimento.

A partir deste argumento, Kaufman cria sub-tramas onde desfilam personagens exóticas e diálogos inspirados e situações insólitas tanto na realidade, onde os técnicos trabalham para remover as lembranças de Joel e dentro de sua cabeça, onde a personagem de Carrey faz de tudo para tentar conservar as lembranças da amada. O elenco é excelente e é completo por Kirsten Dunst, Mark Rufallo, Elijah Wood que fazem parte da equipe técnica da empresa que apaga as mentes, e do sempre competente Tom Wilkinson como o Doutor Howard Mierzwiak. Há ainda o uso inteligente dos efeitos especiais que realçam o sabor das viagens de Kaufman, criando um universo surreal e onírico no filme.



Em meio a todas as esquisitices que o filme sustenta, há um discurso coerente a respeito dos relacionamentos nos dias de hoje, sua superficialidade e sua descartabilidade. E há também as considerações de Kaufman à cerca do amor e da sua intangibilidade, pois mesmo com toda a eficácia do tratamento, o amor que Joel sente por Clementine não é apagado.

Ficção – cientifica, drama, romance e comédia são alguns dos gêneros por onde o filme passeia, o que torna difícil na sua classificação. Na verdade a única classificação que cabe aqui é sobre a qualidade do filme e, nesse quesito, a avaliação é a das mais favoráveis possíveis. Trata-se de um baita filme!


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

As Comédias Românticas


Sabrina, clássica comédia romântica do mestre Wilder.

As comédias românticas são um dos gêneros cinematográficos mais bem sucedidos e comemorados da sétima arte.
Grandes gênios do cinema como: Chaplin, Cukor, Wilder, Nicholas, Capra, Allen, Truffaut entre outros fizeram grandes clássicos nesse gênero que faz todos nós, humanos, nos emocionarmos e sonharmos.

Há quem diga que o amor é uma invenção do comércio. Outros que dizem que é uma manifestação de hormônios voltada para a procriação e a manutenção da espécie. E ainda há outros que o colocam como o grande objetivo da vida. A grande mola que impulsiona a humanidade. Quem está certo? Não sei. O conceito de amor é subjetivo e, como tudo na vida, não possui uma verdade absoluta. Acredito que cada pessoa no mundo tem que descobrir o que essa palavra de quatro letras representa para si, e mesmo assim nunca será uma verdade absoluta. Já vi românticos idealistas se transformarem em pessoas frias e descrentes por uma desilusão, como já vi também solteiras e solteiros convictos amolecerem e se transformarem em entusiastas apaixonados frente a um novo relacionamento. Em minha opinião, a grande verdade é que todos, independente de raça, credo ou gosto, sonham em encontrar uma pessoas que as entenda e que as complete, que vem de encontro com meu conceito de amor: Amar é entender e completar e ser amado é ser entendido e sentir-se completo.

Divagações à parte, voltemos ao cinema, que é a grande máquina de sonhos dos nossos tempos e o real objetivo deste post. Nem tudo é doce nos filme “água-com-açúcar”. Sendo um dos gêneros mais rentáveis da sétima arte, vemos uma enxurrada de filmes que repetem à exaustão as fórmulas consagradas, os arquétipos e as situações -Movies is business- e sendo assim, para que arriscar? Lançam trocentos filmes iguais e sem a menor a novidade e todos saem felizes: Os produtores enchem a burra de verdinhas, as mocinhas que sofrem com o sofrimento e se emocionam com os finais felizes, e os marmanjos que podem abraçar e consolar seus pares. Entretanto, cinema é – teoricamente – arte. E para ser arte é preciso ser novidade, senão deixa de sê-la.

A maioria das comédias românticas que vemos hoje são assim: copia de outros filmes, portanto sem o menor valor artístico. Temos ainda uma classe intermediária desses filmes que se não apresentam grandes inovações estéticas ou temáticas, pelo menos se destacam de alguma forma agregando algum valor artístico. E temos uns poucos filmes, o vintage dessas produções, os verdadeiros biscoitos finos que merecem o status de serem classificados como arte.

Nas páginas desse blog já falei sobre dois desses filmes, Confiança de Hall Hartley e Procura-se Amy de Kevin Smith, que você pode ler clicando nos nomes dos filmes. Nos próximos dias: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança de Michael Grondy, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain de Jean-Pierre Jeunet e Embriagado de Amor de Paul Thomas Anderson para fechar a lista.

Um Bom Ano a Todos!

Receita de ano novo

Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)



Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.



Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.