quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Alguns Aforismos de Kafka

- A partir de um certo ponto não há mais retorno.
Esse é o ponto que deve ser alcançado.

- Uma gaiola saiu à procura de um pássaro.

- Compreender a ventura de que o chão, sobre o qual está parado, não pode ser maior do dois pés que o cobrem.

- Como se pode estar satisfeito com o mundo, a não ser quando nele se exile?

- Não existe nenhum possuir, somente um ser, somente um ser exigente até o último alento, até à asfixia.

- No passado eu não compreendia porque não encontrava respostas às minhas perguntas; hoje eu compreendo como podia acreditar que pudesse perguntar.
Entretanto, eu não acreditava, perguntava somente.

- A desproporção do mundo parece ser, de modo consolador, apenas uma questão quantitativa.

- Foi dada a eles a escolha de se tornarem reis ou mensageiros de reis. Com a ingenuidade das crianças todos escolheram ser mensageiros. Eis porque só existem mensageiros, que correm pelo mundo em como não há mais reis, gritam uns para os outros mensagens que não tem sentido.

- Olhe bem acima das nuvens! Você pode estar lá com Deus!

- Não precisa sair de teu quarto. Permanece sentado à tua mesa e escuta. Não, nem mesmo escutes, simplesmente espera. Não, nem mesmo espera. Fica imóvel e solitário. O mundo simplesmente se oferecerá a ti, para ser desmascarado. Ele não tem escolha, e acabará rolando em êxtase a teus pés.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Parabéns, Gambs!!!

Sorriso
(Para Sandra Gambs)

Aquilo em que não se pensa:
O Perfume das estrelas,
A solidão do cristal,
A memória do metal,
A ilusão das nuvens macias
E tudo mais que se esconde
No seu sorriso delicado.
(Roberto Valerio Jr)

Parabéns, minha alma gêmea! Viver do seu lado é um privilégio e uma aventura. A Melhor aventura possível.
Desejo a você toda a felicidade do mundo... uma vida repleta de conquistas e realizações! Como eu sempre digo - pessoas boas merecem coisas boas - e você, Sandra, como é a melhor pessoa que eu conheci na vida, merece as melhores coisas possíveis e impossíveis, Claro que sempre do meu lado(rsrsrs).
Eu amo você!!!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Alice no Pais das Maravilhas (trecho)


- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Anti Pandora


A Anti Pandora
Para Sandra Gambs

Basta de lamentos...
O Coração, agora renovado, pula em meu peito.
Chega de reminiscências,
Chega de dor,
Chega de esperar.
Eu quero tudo, e quero agora!!!

Quando você abriu a caixa
Que mora dentro do teu peito, anti-Pandora,
Roubou todo desespero preto e branco da minha vida.
E jogou pra fora furiosamente
A esperança colorida.
Chega de esperar.
Eu quero tudo, e quero agora!!!
(Roberto Valerio Jr.)

A Esfinge Desleal




A Esfinge Desleal

Esfinge de perfume concreto,
E hálito azedo e tenaz,
Desleal como o peso do Sol,
Ou a ilusão de uma memória espectral.

Sonho de imagens rebeldes
Acabam com idéias de doçura.
Monstros ferozes devoram fragrâncias,
Luzes e cristais que nascem no anticéu.

Baila no palácio dos Deuses,
Cria sorriso de horizonte ocasional
És esfinge desleal:
Decifro-te e me devoras
Sem pudores e nem amores.

(Roberto Valerio Jr)

Fernando Pessoa

 Entre O Sono E Sonho

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

Festival do Rio - 2009





O Festival do Rio começou em 1999 como resultado da fusão dos dois maiores festivais brasileiros – o Rio Cine (fundado em 1984) e a Mostra Rio (fundada em 1988) – e atualmente é o maior festival do Brasil e da América Latina. Todos os anos, recebe atenção massiva da mídia brasileira e sul-americana.


California Filmes no Festival Internacional do Rio

Sete filmes da California serão exibidos no Festival Internacional de Cinema do Rio. São filmes premiados e/ou exibidos em importantes Festivais de todo o mundo, que serão lançados em circuito comercial em 2009 e 2010.

Corações em Conflito (Mammoth)

Corações em Conflito gira em torno do bem sucedido casal de Nova York formado por Leo e Ellen. Leo, criador de um conhecido website, entrou de cara no mundo do dinheiro e de grandes decisões. Ellen é uma dedicada cirurgiã que dedica seus plantões ao salvamento de vidas. A filha deles, Jackie, tem oito anos e passa a maior parte do tempo com a babá filipina, Glória, situação que tem feito Ellen repensar suas prioridades.

Glória foi para os EUA para ganhar dinheiro com o objetivo de ajudar sua família e deixou seus dois filhos nas Filipinas. Um deles, Salvador, de dez anos de idade, sente tanto a falta da mãe que arrumou um emprego para ajudar com dinheiro e apressar a volta de Glória. Quando Leo vai para a Tailândia a serviço, ele inconscientemente desperta uma cadeia de eventos que trará conseqüências dramáticas para todos.

Direção: Lukas Moodysson
Elenco: Gael García Bernal, Michelle Williams, Marife Necesito e Sophie Nyweide
Seleção Oficial Festival de Berlim 2009
Países: Suécia, Dinamarca e Alemanha
Gênero: Drama

Inversão

De narrativa realista, INVERSÃO faz uma cruel radiografia das várias facetas que o crime assume no Brasil em geral e em São Paulo em particular. Felistoque diz que o roteiro é baseado numa amálgama de histórias que realmente aconteceram, ou, numa análise mais sarcástica, “o filme é baseado em fatos que serão reais”.

Direção: Edu Felistoque
Elenco: Alexandre Barillari, Francisco Carvalho, Giselle Itié e Marisol Ribeiro
BRAFFT – Brazilian Film Festival of Toronto
Menção Honrosa pela Trilha Sonora na Mostra Competitiva
País: Brasil
Gênero: Thriler

London River

Londres 2005:

Essa é a história de Ousmane e da Sra. Sommers. Ambos são pessoas simples e vivem suas vidas comuns, ele na França, ela em Channel Islands, no Canal da Mancha. Ele tem um filho e ela uma filha que são estudantes em Londres.

Em 7 de julho de 2005, sem notícias dos filhos, eles resolvem começar, juntos, uma busca pelos dois adolescentes. E embora eles tenham sido criados em meio a duas religiões diferentes – Ousmane é muçulmano e a Sra. Sommers cristã – eles vão compartilhar da mesma esperança de encontrar os filhos com vida. Eles colocam as diferenças culturais de lado e apóiam-se para continuar a busca e manter a fé.

Direção: Rachid Bouchareb
Elenco: Brenda Blethyn, Sotigui Kouyaté e Francis Magee
Seleção Oficial Festival de Berlim 2009
Vencedor do Urso de Prata de Melhor Ator para Sotigui Kouyaté
Países: Inglaterra, França e Argéria
Gênero: Drama

Nova York, Eu te Amo (New York, I Love You)

Em “NOVA YORK, EU TE AMO” onze diretores contam histórias de amor que se passam na cidade que nunca dorme. O filme nos moldes de “Paris, Te Amo” é composto por nomes consagrados com: Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shunji Iwai, Wen Jiang, Scarlett Johansson, Shekhar Kapur, Joshua Marston, Mira Nair, Natalie Portman, Brett Ratner e Andrei Zvyagintsev.

Direção: Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shunji Iwai, Wen Jiang, Shekhar Kapur, Joshua Marston, Mira Nair, Natalie Portman, Brett Ratner e Randall Balsmeyer
Elenco: Bradley Cooper, Shia LaBeouf, Natalie Portman, Orlando Bloom, John Hurt, Christina Ricci, Ethan Hawke, Robin Wright Penn, Andy Garcia, Chris Cooper, Blake Lively, Justin Bartha, Rachel Bilsonm, Hayden Christensen, Drea de Matteo, Julie Christie...
Países: França e EUA

Ricky

Quando Katie, uma mulher comum,
conhece Paco, um homem comum,
algo de mágico e milagroso acontece:
uma história de amor.
Dessa união nascerá um bebê extraordinário: Ricky.

Direção: François Ozon
Elenco: Alexandra Lamy, Sergi Lopez, Mélusine Mayance e Arthur Peyret
Seleção Oficial Festival de Berlim 2009
Países: França / Itália
Gênero: Drama

TOKYO!

Em TOKYO! três dos maiores diretores do mundo examinam a natureza nada típica e inesquecível da megalópole japonesa que não para de crescer. Gondry, Carax e Joohn-Ho dão vida a personagens que vivem nessa cidade em constante movimento... Um filme, narrado como uma grande Rapsódia feito por três diretores, três histórias e o espírito de uma grande megalópole, a cidade de Tokyo!

Direção:
Michel Gondry – Interior Desing
Leos Carax – Marde
Bong Joonh-Ho – Shaking Tokyo

Seleção Oficial do Festival de Cannes – 2008 “Um Certo Olhar”
Países: França / Japão / Coréia / Alemanha
Gênero: Drama

TYSON

TYSON é o retrato íntimo e emocionante de um Mike Tyson abatido, contado pelas palavras do próprio ex-campeão peso pesado e dirigido pelo diretor independente James Toback. Em TYSON, Mike Tyson examina sua própria vida, dentro e for a dos ringues, com candura, eloquência e vulnerabilidade, o que é, à vezes, pungente, outras vezes engraçado, mas sempre extremamente honesto. Por meio de uma hábil mistura de entrevistas originais, filmagens e fotografias de arquivo, surge um ser humano surpreendentemente complexo.

Direção: James Toback
Seleção Oficial do Festival de Cannes – 2008 “Um Certo Olhar”
País: EUA
Gênero: Documentário

O Festival Internacional de Cinema do Rio começa no dia 24 de setembro a 8 de outubro, para mais informações sobre o Festival http://www.festivaldorio.com.br/

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Henri Cartier-Bresson:Fotógrafo no SESC




Depois de uma degustação de Cartier-Bresson na Pinacoteca, em fotos retratando a intimidade de Matisse, chega ao Brasil a exposição" Henri Cartier-Bresson:Fotógrafo".   
Serão 133 fotos do mestre. A exposição acontece  no SESC Pinheiros. R. Paes Leme, 195 – Pinheiros - de terças a sextas-feiras, das 10h30 às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30, até o dia 20 de dezembro Grátis.Informações: (11) 3095-9400
Imperdível!
Para conhecer mais clique aqui.

Odilon Redon

Bertrand-Jean Redon, ou simplesmente Odilon Redon (Bbordeux-1840 / Paris – 1916) não foi o único a abraçar os preceitos estéticos e temáticos do simbolismo, mas foi aquele que melhor soube representar os ideais do movimento.
Com uma obra marcada pela poesia e repletas de imagens  fantásticas  próximas à imaginação e carregada no clima onírico, suas telas foram muito influente para a formação do movimento surrealista, alguns anos depois.
Observa-se em sua obra duas fases bem definidas por uma forte mudança técnica e temática. Na primeira monocrática, suas gravuras e desenhos eram realizados principalmente com carvão. O conjunto desses trabalhos ficou conhecido como os Negros. Os temas que o pintor usava nesse período abordavam um mundo fantástico de horror e dor, cheio de monstros e personagens disformes. Um verdadeiro pesadelo pictórico.
A partir da década de 1890, Redon modificou sua abordagem. Carregando mais nas cores e na luminosidade. Passa a utilizar pastel e óleo. Nesta fase, ele continua a criar universos imaginários fantásticos, mas trabalhou com temas mais suaves, embora o viés imaginário e fantástico continue carregado em sua obra.
Guardian Spirit of the Waters -  1878
The Crying Spider - 1881
The Black Sun - 1900
Beatrice - 1885
barque_mystique - 1890/1895
Ophelia - 1900-1905
Le Bouddha (The Buddha) - 1905
Pandora -  1910.
The Fall of Phaeton - 1910
Parsifal - 1912
The Red Sphinx -  1912
The Cyclops -  1914

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Entropia, um Soneto.


"É sem qualquer terror que eu vejo a desunião das moléculas da minha existência”
Sade

Amores e flores fortes me devoram.
Sinto músculos impossíveis harpejar.
Todos os fracassos voltam a me visitar
Nas noites sem dia em que almas gelam.

Humanos são imensos insetos confusos,
Perdidos nos campos solitários do mundo,
Alimentando o caos com  seu grito infecundo,
Queimando a esperança em ódios efusos.

A esperança apodrece nas ventas do espaço!
A luz e o calor se aniquilam sem estardalhaço!
Tudo se acaba em harmoniosa desordem!

Antes que todas as lágrimas transbordem
Quando a luz da última estrela derreter:
Absolutamente tudo irá se perder!
(Roberto Valerio Jr.)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Gustav Mahler - Adagietto" da 5ª Sinfonia

Mehta conducts Mahler: Symphony 5: mvt. 4 (Adagietto)

Alvares de Azevedo

SONETO DO ANJO

Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti — as noites eu velei chorando,
Por ti — nos sonhos morrerei sorrindo!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Morangos Silvestres 1957 – Ingmar Bergman


O Raod-movie existencial de Bergman!

Qualquer lista de “melhores filmes de todos os tempos” que se preze, tem que ter no topo “Morangos Silvestres” (Smultronstället, 1957) filme do mestre Ingmar Bergman. E é isso mesmo que acontece. Quando o filme do diretor sueco não está em primeiro lugar, fatalmente está nas primeiras colocações. Pois bem, se você é uma pessoa que acha esse papo de listas uma babaquice, os cânones uma bobagem e os críticos uns arrogantes que nada sabem, assista a esse filme e DUVIDO que não se sinta tocado, emocionado e não reflita sobre a brevidade da vida, as efemeridades que carregamos como algo aparentemente importante, a incomunicabilidade nas relações humanas e o completo silêncio de Deus. O filme tem uma carga filosófica muito presente e nem por isso é “difícil” ou “sem emoção”, e percorre todas camadas do sentimentos humanos. Um filme que tem como maior qualidade unir o aspecto emocional ao cerebral.
Bom, deixemos a tietagem de lado e entremos no filme.

O filme narra a viagem que o médico aposentado Isak Borg (Victor Sjöström, brilhante) fará de carro para Lund, na universidade da cidade, onde será agraciado com um prêmio honorifico. Paralela a sua odisséia real, Bergman costura uma viagem introspectiva onde Isak vai confrontar velhos fantasmas, em que passado e presente se chocaram. A morte o encarará e, o médico, ao recordar de paixão de sua vida, reencontrará sua paz interior e fará as pazes com a vida.

Escrito e dirigido por Bergmam, o filme ainda conta com um elenco primoroso, além da já comentada participação de Sjöström, temos em destaque as habituais colaboradoras do Mestre: Ingrid Thulin que interpreta a nora do médico, Marianne Borg; e Bibi Anderson em um papel duplo, primeiramente aparece como uma jovem cheia de vida para que o médico dá carona, e posteriormente como Sara, fantasma (ou alucinação) do grande amor de Isak. O casting dos filmes de diretor são sempre um show à parte. Desde a perfeita escolha dos atores, até toda carga cênica que o diretor importava de sua experiência nos palcos, funcionava de maneira sublime.

Divinamente fotografado por Gunnar Fischer, outro habitual colaborador de Bergman e um dos grandes responsáveis por essa admirável característica do cinema do Diretor: o perfeito casamento entre imagem e narrativa.
Grande filme! CINEMA com todas as letras maiúsculas!

Thulin, Andreson e Sjöströn

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Haroldo de Campos

EX/PLICAÇÃO


não há um
sentido único
num
poema

quando alguém
começa a ex-
plicá-lo e
chega ao fim
en-
tão só fica o
ex
do ponto de
partida

beco

(tente outra
vez)

sem saída

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Haroldo de Campos

circum-lóquio
(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo
terceiro-mundista

laisser faire laisser passer

1.
o neoliberal
neolibera:
de tanto neoliberar
o neoliberal
neolibera-se de neoliberar
tudo aquilo que não seja neo (leo)
libérrimo:
o livre quinhão do leão
neolibera a corvéia da ovelha
2.
o neoliberal
neolibera
o que neoliberar
para os não-neoliberados:
o labéu?
o libelo?
a libré do lacaio?
a argola do galé?
o ventre-livre?
a bóia-rala?
o prato raso?
a comunhão do atraso?
a ex-comunhão dos ex-clusos?
o amanhã sem fé?
o café requentado?
a queda em parafuso?
o pé de chinelo?
o pé no chão?
o bicho de pé?
a ração da ralé?

3.
no céu neon
do neoliberal
anjos-yuppies
bochechas cor-de-bife
privatizam
a rosácea do paraíso
de dante
enquanto lancham
fast-food
e super
(visionários) visam
com olho magnânimo
as bandas
(flutuantes)
do câmbio:

enquanto o não
- neoliberado
come pão
com salame
(quando come)
ele dorme
sonhando
com torneiras de ouro
e a hidrobanheira cor
de âmbar
de sua neo-
mansão em miami
4.
o centro e a direita
(des)conversam
sobre o social
(questão de polícia):
o desemprego um mal
conjuntural
(conjetural)
pois no céu da estatís-
tica o futuro
se decide pela lei
dos grandes números
5.
o neoliberal
sonha um mundo higiênico:
um ecúmeno de ecônomos
de economistas e atuários
de jogadores na bolsa
de gerentes
de supermercado
de capitães de indústria
e latifundários de
banqueiros
- banquiplenos ou
banquirrotos
(que importa?
dede que circule
autoregulante
o necessário
plusvalioso
numerário)
um mundo executivo
de mega-empresários
duros e puros
mós sem dó
mais atento ao lucro
que ao salário
solitários (no câncer)
antes que solidários:
um mundo onde deus
não jogue dados
e onde tudo dure para sempre
e sempremente nada mude
um confortável
estável
confiável
mundo contábil.
6.
(a
contramundo
o mundo-não
-mundo cão-
dos deserdados:
o anti-higiênico
gueto dos
sem-saída
dos excluídos pelo
deus-sistema
cana esmagada
pela moenda
pela roda dentada
dos enjeitados:
um mundo-pêsames
de pequenos
cidadãos-menos
de gente-gado
de civis
sub-servis
de povo-ônus
que não tem lugar marcado
no campo do possível
da economia de mercado
(onde mercúrio serve ao deus mamonas)
7.
o neoliberal
sonha um admirável
mundo fixo
de argentários e multinacionais
terratenentes terrapotentes coronéis políticos
milenaristas (cooptados) do perpétuo
status quo:
um mundo privé
palácio de cristal
à prova de balas:
bunker blau
durando para sempre - festa estática
(ainda que sustente sobre fictas
palafitas
e estas sobre uma lata
de lixo)

Peter Kuper - A Metamorfose e Desista!

“A adaptação de Peter Kuper de A Metamorfose, de Kafka, é tão singular quanto esta bizarra história. Seu estilo transmite o horror deste clássico.” Will Eisner

Uma das melhores coisas que aparecia na revista de humor norte-americana MAD era a série SPY x SPY do autor americano Peter Kuper. Nessas historinhas curtas sem o menor diálogo entre as personagens, víamos dois espiões: um branco e um preto, que sem a menor cerimônia, ferravam um ao outro com os maiores requintes de crueldade possíveis. Humor negro da melhor qualidade.

Os anos passaram e Kuper resolveu fazer trabalhos mais elaborados com pretensões artístcias mais sérias, como a excelente Graphic Novel "O Sistema", e as adaptações da obra de Franz Kafka como a novela “A Metamorfose”, e a coletânea de contos “Desista!”.

A metamorfose é baseada no clássico do escritor tcheco e Kuper soube traduzir em imagens toda a angustia, o absurdo da condição de Gregor Samsa, que depois de uma noite mal dormida acorda transformado em um inseto gigante. Com uma narrativa que explora o lado trágico,  o cômico e o humano da história e com um visual extremamente bem cuidado, a Graphic Novel tem um trabalho artístico com fortes inclinações expressionistas e consegue manifestar o pesadelo kafkiano de maneira singular. Uma das melhores Hqs que li na vida.

Já em Desista, Kuper mergulha novamente na obra de Kafka. Dessa vez o americano utiliza alguns contos consagrados do escritor, como: o artista da fome, desista, um fratricídio e timoneiro. Aqui novamente o traço sombrio de Kuper encontra apoio no vazio existencial e no absurdo presente na obra de Franz Kafka.

As Graphics foram lançadas pela Conrad e podem ser adquiridas no site da editora ou nas melhores lojas do ramo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Trecho de "O processo" de Franz Kafka - Bem-vindos ao absurdo

Diante da lei está parado um porteiro. Um homem do campo chega até esse porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que ele não pode permitir sua entrada naquele momento. O homem reflete e pergunta, em seguida, se ele poderá entrar mais tarde. "Até é possível", diz o porteiro, "mas agora não". Uma vez que a porta para a lei está aberta como sempre, e o porteiro se põe de lado, o homem se acocora a fim de olhar para o interior. Quando o porteiro percebe o que está acontecendo, ri e diz: "Se te atrai tanto, tenta entrar apesar da minha proibiução. Mas nota bem: eu sou poderoso. E sou apenas o mais baixo entre os porteiros. A cada nova sala há novos porteiros, um mais poderodo do que o outro. Tão-só a visão do terceiro nem mesmo eu sou capaz de suportar".
Tais dificuldades o homem do campo não havia esperado; uma vez que a lei deveria ser acessível a todos e sempre ele pensa, mas agora que observa o porteiro em seu sobretudo de pele com mais atenção, seu nariz pontudo e grande, a barba longa, fina, negra e tártara, ele acaba decidindo que é melhor esperar até receber permissão para a entrada. O porteiro lhe dá um tamborete e o deixa esperar sentado ao lado da porta. E lá ele fica sentado durante dias e anos. Ele faz várias tentativas no sentido de que sua entrada seja permitida, cansa o porteiro com seus pedidos. O porteiro muitas vezes o submete a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe pelo lugar onde nasceu e muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, assim como as fazem grandes senhores, e por fim acaba sempre lhe dizendo que não pode deixá-lo entrar.
O homem, que havia se equipado com muita coisa para a viagem, utiliza tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Muito embora este aceite tudo, sempre acaba dizendo: "Eu apenas aceito para que não acredites ter deixado de fazer alguma coisa". Durante os vários anos, o homem obsrvou o porteiro quase ininterruptamente. Ele esquece os outros porteiros, e aquele primeiro lhe aprece ser o único obstáculo à entrada na lei. Ele amaldiçoa o acaso nos primeiros anos e, mais tarde, quando fica mais velho, apenas resmunda consigo mesmo. Torna-se infantil, e uma vez que no estudo do porteiro, feito durante anos a fio, conheceu também as pulgas em sua gola de pele, ele pede também às pulgas que o ajudem a fazer o porteiro mudar de idéia.
Por fim, a luz de seus olhos se torna fraca, e ele não sabe mais se em volta dele tudo está ficando escuro de verdade ou se são apenas seus olhos que o enganam. Porém, agora ele reconhece no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. E eis que ele não vive mais por muito tempo. Antes de sua morte, todas as experiências do tempo que por lá ficou se reúnem na forma de uma pergunta em sua cabeça, uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Ele acena em sua direção , uma vez que já não pode mais levantar seu corpo enrijecido. O porteiro tem de se inclinar profundamente sobre ele, pois a diferença de tamanho se acentuou muito, desfavorecendo o homem. "Mas o que é que queres saber ainda agora?", pergunta o porteiro, "Tu és mesmo insaciável". "Se todos aspiram à lei", diz o homem, "como pode que em todos esses anos ninguém a não ser eu pediu para entrar?"
O porteiro reconhece que o homem já está no fim, e no intuito de ainda alcançar seus ouvidos moribundos, grita com ele: "Aqui não poderia ser permitida a entrada de mais ninguém, pois essa entrada foi destinada apenas a ti. Agora eu vou embora e tranco-a".

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Up - Altas Aventuras / 2009



Eraserhead já não é o mesmo. Mundialmente conhecido por seus gostos extravagantes, sua aptidão para gostar de coisas, bem... Digamos: Anticonvecionais, obscuras e de difícil assimilação; esse cabeça de borracha que vos fala tem uma confissão fazer - foi assistir um desenho animando da Pixar e adorou. Ele já havia gostado dos anteriores, principalmente do Wall-e, de Ratatouile e Monstros S/A, mas Up-Altas Aventuras, filme dirigido por Peter Docter ele gostou pacas.

A epopeia ocorreu no último domingo, dia 06/09. Eraser foi, como de costume, levar sua sobrinha  para assistir o filme infantil que estreava naquela semana. Sempre em companhia de sua adorável companheira, Senhorita Gambs - sua Mãe, Madame Iara e com a participação não tão constante, mas sempre especial de Dani, sua irmã, seguiram para o Bourbon para assistir ao desenho americano.


No Shopping, depois de atravessar uma fila animalesca, e ao chegar à bilheteria, foi informado que não havia mais ingressos. Olhou para trás e viu uma fila cheia de crianças e pensou se não seria melhor alguém informar antes que as pessoas percam tempo na fila. Enfim...

Resolveram partir para o Eldorado, onde o filme seria exibido em 2 salas, logo haveria mais chances de consegui ver o filme. Chegando nas proximidades do shopping a fila para adentrar o estacionamento desencorajou a todos. Ela dava a volta em três partes do quarteirão. Eraser olhou para o rosto de sua sobrinha e já ensaiava uma desculpa para não ir ver o filme, quando um epifania o acometeu. Lembrou que o filme estava passando no Frei Caneca e que trata-se de um shopping mais tranquilo, poderia ser lá.

Batata! Cinema sem fila e com ingressos na mão para a próxima sessão. Falemos agora sobre o filme.

Up narra a historia de Carl Fridericksen, um homem amargo de 78 anos que ao fazer uma viagem muita louca tem a chance de acertar as contas com o mundo.

O filme já começa muito bom, com uma sequência em que nos apresentado Carl ainda criança. Vemos seus sonhos de ser um aventureiro e explorador e como ele conheceu Ellie, sua cara-metade. Uma menina que apesar de bem mais atirada que o garoto, tem os mesmos gostos e as mesmas aspirações.

A próxima sequência e ainda mais excelente, passa junto com os créditos inicias do filme. Nos é mostrada a vida em comum dos Frideriksens, suas conquista, suas decepções e os vários motivos que os afastam de fazerem sua grande aventura, até a morte de Ellie.

A partir dai começa verdadeiramente o filme, Carl, agora idoso é um homem recluso e amargo. Vive em conflito com um homem que quer comprar sua casa para derrubá-la e construir um prédio no local. Depois de uma discussão com uns dos funcionários desse homem, Carl é acusado de agressão e é considerado perigoso judicialmente e é recomendado a procurar moradia em um asilo. A ideia de se afastar da casa que foi muito feliz com Ellie  faz Carl tomar uma atitude radical: instalar um mecanismo de vôo na casa que, impulsionada por balões de ar levanta vôo e levar Carl para a viagem de sua vida.

Em companhia de Russel, um escoteiro atrapalhado que acidentalmente estava na casa no momento que ela levanta vôo, partem para a América do sul, para o local em que Carl e Ellie fariam sua grande aventura. Lá encontram Kevin, uma ave exótica muito louca, uma matilha de cães falantes engraçadíssimos e Charles Muntis, o vilão do filme.

Das diversas qualidades que o filme possui, vale destacar o roteiro delirante, quase surreal; e a confecção das personagens. Carl Freidcksen principalmente, traz toda a dor, a redenção e a esperança, presente em cada um de nós humanos.

Um filme que diverte e emociona na mesma medida. Excelente programa para ver acompanhado dos filhos, sobrinhos ou até mesmo com a namorada.

Por falar em namorada: Ta bom, Gambs, eu confesso! Também Chorei na parte que a Ellie morre! Mas foi só uma lágrima, ok!?

sábado, 5 de setembro de 2009

Matisse na Pinacoteca

Jeune Femme a la pelisse blanche, 1944
Henri Matisse foi ao lado do espanhol Pablo Picasso o grande expoente das artes plásticas no inicio do século passado. A Pinacoteca do Estado de São Paulo faz a primeira exposição individual do artista para o Brasil na mostra “Matisse hoje”. Serão 93 trabalhos do artista, divididos entre telas, esculturas, gravuras, desenhos e colagens. Até a sentida ausência de a “Dança-1910” obra capital do artista, é compensada pela quantidade de trabalhos  e pela cobertura das fases mais significativas de Matisse, como a das naturezas mortas, do fauvismo e dos retratos femininos. Imperdível!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Reflexos na lente dos óculos escuros.

Um autorretrato acidental e intencional de Sandra Gambs.

Um Soneto para minha Musa Lua(Título provisório)

Para Sandra Gambs
Branca lua que brilha para minha alma.
Estrelas digladiam-se por seu esplendor.
Quasares com luz pálida tremem de horror.
Abismos no céu despejam ferocidade calma.

Corpo etéreo de cristal que refaz o universo,
Onde matérias voláteis e elétricas sufragam,
Estranhos pulsares e eternidades que propagam
O psicodélico perfume que flutua perverso.

Uma Constelação cansada assiste curiosa:
Um homem amando uma lua-mulher grandiosa,
feliz, pulsátil e acorrentado em sua gravidade.

Calmamente, seus copos bailam suavidade,
Perdidos em carinhos de dimensão secular
E beijos quentes e orgasmos em fusão-nuclear.

(Roberto Valerio Jr.)

Augusto dos Anjos - A Dança da Psique

A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A
[espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!

É então que a vaga dos instintos presos
- Mãe de esterilidades e cansaços -
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.

Subitamente a cerebral coréia
Pára. O cosmos sintético da Idéia
Surge. Emoções extraordinárias sinto...

Arranco do meu crânio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Charles Baudelaire - A Musa doente

O que tens, pobre musa minha, esta manhã?
Povoam os teus olhos as visões noturnas
E vejo refletidas na pele malsã
A loucura e a dor, sombrias e soturnas.

O súcubo verdoso e o róseo satã
Melaram-te no cio que vertem das urnas?
O pesadelo, mão despótica e pagã,
Afogou-te no fundo de um falso Minturnas?

Quisera que banhada numa aura sã
Tivesses sempre a mente robusta e louçã
E teu sangue cristão fluísse sem fadigas

Na cadência do som das sílabas antigas,
Domínio do poeta pai do nosso clã,
Febo, e do senhor da messe, grande Pã.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Edgar Allan Poe - Um Sonho Dentro de um Sonho

Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.

Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Anticristo - 2009 Lars Von Trier

Obra-prima ou lixo pornográfico sadomasoquista?
Depois de muito ouvir e ler a respeito da repercussão e o alvoroço que “O Anticristo” (The Antcrist 2008), filme que o diretor dinamarquês Lars Von Trier apresentou esse ano no festival de Cannes, fiquei extremamente curiosos para ver o filme. Queria descobrir se o filme era o fiasco que grande parte da imprensa apregoou por ai ou se Von Trier estava certo ao declarar que era o melhor cineasta do mundo, como afirmou em na coletiva do festival.
Bom, depois de assistir ao filme entendi o porquê de tamanha espuma.
Gainsbourg e Dafoe
O filme fica entre: o maior pesadelo sobre sexo e culpa já filmado ou se Ingmar Bergman tivesse filmando a Bruxa de Blair. A narrativa apresenta um casal formado por William Dafoe, um terapeuta e Charllote Gainsbourg, uma mestranda (ambos não possuem nomes próprios aplicando assim uma dimensão universal à história). Após a morte de filho do casal, eles se isolam em uma cabana no meio de uma floresta ironicamente chamada de “Éden” na tentativa de uma superação do trauma. Mas lá, naquela cabana isolada, bem no meio de uma floresta assustadora cheia de arvores retorcidas, animais mortos e sons assustadores o casal mergulha em um inferno violento e obsessivo.
Dafoe
Permeado por momentos que se opõem: às vezes de beleza irresistível, como o seu prólogo todo estilizado e poético ao som de Lascia Ch’io Pianga, de Handel; e de cenas que incomodam assustadoramente, com as mutilações explícitas de órgãos genitais e as violentas ao extremo e o final bizarro e enigmático. Na sessão que assisti ao filme, presenciei as mais variadas reações. Desde um doido que roncava nos momentos mais violentos do filme e pessoas que riam nas cenas mais improváveis do filme.
Pesadelos fantasmagóricos  
O roteiro do filme foi escrito por Von Trier ao meio de uma severa depressão que quase o impediu de filmar. O diretor disse que tirava as idéias para as cenas de sonhos e pesadelos que teve no período. O filme é rico em símbolos e mensagens bem difusas. Em Cannes, esse ano, na apresentação do filme um jornalista inglês indagou ao cineasta o sentido e exigiu dele uma explicação para o filme. O diretor respondeu sem a menor cerimônia que: “Não tenho que me justificar. Eu faço filmes e isto é fruto da vontade de Deus. Além disso, sou o melhor diretor de cinema do mundo”. E depois disse as descontentes que: “agradou a mim que foi eu que fiz, ok. Não agradou você? Sem problemas. Está cheio de filmes que atendam suas expectativas de final feliz“. A primeira resposta foi forçada, mas eu achei que na segunda ele matou a pau”.
O filme tem suas qualidades técnicas inegáveis! Ao começar pelo trabalho dos atores. Dafoe tem aqui seu melhor desempenho em anos e Charlotte despeja toda a fragilidade e o desespero que sua personagem necessita. A Fotografia de Anthony Dod Mantle apresenta uma classe e um acabamento ao filme, que nada lembra os minimalismos estéticos do Dogma 95 que o cineasta apresentou ao mundo na década passada.

Simbolos Obscuros
O Anticristo é o filme mais autoral e visceral de Von Trier. Apesar de irregular, é muito melhor que 80 por cento (se não for mais) dos lançamentos que vi esse ano. Vale uma assistida para contemplar as reminiscências religiosas e pessoais do diretor, elogiar sua coragem de se despir das aparências publicamente causar um sem-números de sentimentos e sensações que o filme causa em quem assiste e ainda mergulhar no caos.
O caos reina!
Dafoe, Von Trier e Gaisnbourg