sábado, 29 de agosto de 2009

Luiza - Tom Jobim

BALADA DE AMOR ATRAVÉS DAS IDADES - Carlos Drummond de Andrade

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando eu ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois, (tempos mais amenos)
fui cortesão em Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina;

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Seguir ou Conduzir?

Odeio seguir alguém, como também conduzir.
Obedecer? Não!
E governar, nunca!
Quem não se mete medo não consegue metê-lo a ninguém,
Somente aquele que o inspira é capaz de comandar.
Já detesto comandar a mim mesmo!
Gosto, como os animais, das florestas e dos mares,
De me perder durante um tempo,
Permanecer a sonhar num recanto encantador,
E forçar-me a regressar de longe ao meu lar,
Atrair-me a mim próprio... de volta para mim".

Friedrich Nietzsche, PATRONO DO BLOG E PADROEIRO DAS MENTES INQUIETAS em A Gaia Ciência.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Metamorfose Parte II – O dia que virei Ereiserredi

Certa Manhã, ao despertar de sonhos psicodélicos, existências, dadaístas e confusos, Zelão, também conhecido como Harry Potter Samsa, deu por si na cama transformado em uma gigante borracha com pelos no corpo. Estava deitado sobre o peito, tão industrializado que parecia um brinquedo infantil de látex e, ao levantar um pouco sua cabeça emborrachada, percebeu toda homogeneidade de seu novo corpo, sobre qual a colcha matinha uma firme posição. Como não possuía mais pernas, usava os pelos do peito para andar, que movimentava freneticamente como miseráveis e finas perninhas de inseto, que se agitavam desesperadamente diante de seu único olho.

A Metamorfose - Kafka


"Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto. Estava deitado sobre o dorso, tão duro que parecia revestido de metal, e, ao levantar um pouco a cabeça, divisou o arredondado ventre castanho dividido em duros segmentos arqueados, sobre o qual a colcha dificilmente mantinha a posição e estava a ponto de escorregar. Comparadas com o resto do corpo, as inúmeras pernas, que eram miseravelmente finas, agitavam-se desesperadamente diante de seus olhos."

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dadá é ...

Hugo Ball de Marcel Janco 1916

— A fala não é o único meio de expressão. A fala é incapaz de significar as experiências mais profundas. a destruição do órgão da palavra pode ser uma forma de disciplina pessoal. Quando o contacto é interrompido, quando cessa a comunicação, começa o mergulho em nós mesmos, o desprendimento, a solidão. Cuspir as palavras — linguagem vácua, entorpecente, da sociedade. Simular modéstia, ou loucura, e permanecer tenso. Atingir uma zona incompreensível, imarcescível.
(Hugo Ball em "a fuga para fora do tempo")


DADA não significa nada.
nós queremos mudar
o mundo com nada”
Richard Huelsenbeck

” o que chamamos DADA
é um pedaço de estupidez
do vazio, no qual todas as
grandiosas questões se
tornaram envolvidas…”
Hugo Ball


” A arte morreu.
viva DADA!”
Walter Serner

“Liberdade: DADA, DADA, DADA
chorando abertamente as dores
constringidas, engolindo as contrastes
e todas as contradições, os grotescos
e as ilógicas da vida.”
Tristan Tzara


“DADA é o sol,
DADA é o ovo.
DADA é a polícia
da polícia.”

Richard Huelsenbeck

” O dadaísmo é alguém
que tem a paixão de viver em todas
as sua formas libertas e
que sabe e diz: A vida não está aqui,
mas da, da (ali, ali)!”
Johannes Baader

 "Até hoje é impossível constatar
 quem achou ou inventou a palavra Dadá,
ou o que ela significa"
Hans Richter

"Ball e eu descobrimos a palavra Dadá, por acaso, num dicionário francês-alemão, quando procurávamos um nome artístico para madame LeRoy, a cantora do nosso Cabaré. Dadá é uma palavra francesa, que significa cavalo de pau."
Huelsenberck


"Declaro que Tristan Tzara encontrou a palavra dadá em 08 de fevereiro de 1916 às seis da tarde. Eu estava presente com os meus doze filhos quando Tzara pronunciou pela primeira vez essa palavra que despertou em todos nós legítimo esntusiasmo. Isso aconteceu no Café Terasse de Zurique enquanto eu levava uma brioche à narina esquerda. Estou convencido de que esta palavra não tem nenhuma importância e que apenas os imbecis e os professores espanhóis podem interessar-se pelos dados. Aquilo que nos interessa é o espírito dadaísta e nós éramos todos dadaístas antes da existência de dadá"
Hans Arp

"Destruo as caixas cranianas e as da organização social. Desmoralizar em toda parte, jogar o homem do céu no inferno, voltar os olhos do inferno para o céu, reerguer a terrível roda do circo universal nos reais poderes e na imaginação de cada indivíduo."

"Ordem=desordem; eu=não eu; afirmação=negação: máxima irradiação da arte absoluta, absoluta em pureza, caos ordenado - rolar eternamente em segundos sem fronteiras, sem respiração, sem luz, sem controle - amo uma obra antiga por causa do seu caráter de inovação. Apenas o contraste nos prende ao passado."
Dadá não significa nada"- Dadá foi produzido na boca."
manifesto Dadá de 1918 - Tristan Tzara


"A arte vai adormecer. A arte imitativa, papagaida, substituía por Dadá. A arte precisa ser operada. A arte é uma exigência especial, aquecida pela timidez do sistema urinário, histeria, nascida no ateliê."
Tristan Tzara


 
"Todos vocês estão acusados: levantem-se! De pé, como fariam para ouvir a Marselhesa ou Deus Salve o Rei...

Dadá, sozinho não cheira a nada; não é nada, nada, nada.
É como as suas esperanças: nada.
Como o seu paraíso: nada.
Como os seus ídolos: nada.
Como os seus políticos: nada.
Como os seus heróis: nada.
Como os seus artistas: nada.
Como as suas religiões: nada.
Vaiem, gritem, esmurrem meus dentes, e daí? Continuarei dizendo que vocês são uns débeis mentais.
Daqui a três meses, meus amigos e eu lhes estaremos vendendo os seus retratos, por uns poucos francos."
Manifesto canibal Dadá, de Francis Picabia, lido

Campainhas, tambores, chocalhos, batidas na mesa ou em caixas vazias animavam as exigências selvagens da nova linguagem, na nova forma, e excitavam, a partir do físico, um público que inicialmente quedava atordoado atrás dos seus copos de cerveja. Pouco a pouco eram sacudidos e despertados de seu estado de letargia a tal ponto que irrompiam num verdadeiro frenesi de participação. Isto era arte, isto era vida, e era isto o que se queria."
Hans Hitcher



Fachada do mitológico Cabaret Voltaire

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Receita Para Fazer um Poema dAdA por Tristan Tzara.

retrato de tristan tzara de lajos tihanyi, 1926
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Abaixo meu poema dadá. Segui a receita de Tzara com uma alteração: para ficar ainda mais desconexo, peguei para cada estrofe uma notícia diferente.


Soneto Dadá
“A destruição também é criação”
Bakunin


Atividade estratégica permite o clima espacial.
Geofísica de fenômenos altera essas mudanças;
Resultados de medições sob condições magnéticas
Doses e coordenadas incluídas violentamente.

Maradona ganhando entrevista para provocar.
A primeira, um clima de Buenos Aires a radio.
Disparou a copa ganhando eliminatórias 2010
Gigante caldeirão semana ideal, Brasil de Rosário.

Patrimônio senador blog lei 9.504 contador
Tião, Omissão eleição esquecimento define.
Tribunal da folha, assinada segundo regime.

Gripe, vírus e zona sul.Pelos que vivem paulistas
O médico possível continua, moradores ao posto
Confirmados municípios diagnosticados de agosto.

1° Manifesto Dadaísta


Da esquerda para a direita: Jean Crotti, ?, André Breton, Jacques Rigault, Paul Eluard, Ribemont-Dessaignes, Benjamin Péret, Théodore Fraenkel, Louis Aragon, Tristan Tzara, Philippe Soupault.


Por Hugo Ball

Dadá é uma nova tendência da arte. Percebe-se que o é porque, sendo até agora desconhecido, amanhã toda a Zurique vai falar dele. Dadá vem do dicionário. É bestialmente simples. Em francês quer dizer "cavalo de pau" . Em alemão: "Não me chateies, faz favor, adeus, até à próxima!" Em romeno: "Certamente, claro, tem toda a razão, assim é. Sim, senhor, realmente. Já tratamos disso." E assim por diante.
Uma palavra internacional. Apenas uma palavra e uma palavra como movimento. É simplesmente bestial. Ao fazer dela uma tendência da arte, é claro que vamos arranjar complicações. Psicologia Dadá, literatura Dadá, burguesia Dadá e vós, excelentíssimo poeta, que sempre poetastes com palavras, mas nunca a palavra propriamente dita. Guerra mundial Dadá que nunca mais acaba, revolução Dadá que nunca mais começa. Dadá, vós, amigos e Também poetas, queridíssimos Evangelistas. Dadá Tzara, Dadá Huelsenbeck, Dadá m'Dadá, Dadá mhm'Dadá, Dadá Hue, Dadá Tza.
Como conquistar a eterna bemaventurança? Dizendo Dadá. Como ser célebre? Dizendo Dadá. Com nobre gesto e maneiras finas. Até à loucura, até perder a consciência. Como desfazer-nos de tudo o que é enguia e dia-a-dia, de tudo o que é simpático e linfático, de tudo o que é moralizado, animalizado, enfeitado? Dizendo Dadá. Dadá é a alma-do-mundo, Dadá é o Coiso, Dadá é o melhor sabão-de-leite-de-lírio do mundo. Dadá Senhor Rubiner, Dadá Senhor Korrodi, Dadá Senhor Anastasius Lilienstein.
Quer dizer, em alemão: a hospitalidade da Suíça é incomparável, e em estética tudo depende da norma.
Leio versos que não pretendem menos que isto: dispensar a linguagem. Dadá Johann Fuchsgang Goethe. Dadá Stendhal. Dadá Buda, Dalai Lama, Dadá m'Dadá, Dadá m'Dadá, Dadá mhm'Dadá. Tudo depende da ligação e de esta ser um pouco interrompida. Não quero nenhuma palavra que tenha sido descoberta por outrem. Todas as palavras foram descobertas pelos outros. Quero a minha própria asneira, e vogais e consoantes também que lhe correspondam. Se uma vibração mede sete centímetros, quero palavras que meçam precisamente sete centímetros. As palavras do senhor Silva só medem dois centímetros e meio.
Assim podemos ver perfeitamente como surge a linguagem articulada. Pura e simplesmente deixo cair os sons. Surgem palavras, ombros de palavras; pernas, braços, mãos de palavras. Au, oi, u. Não devemos deixar surgir muitas palavras. Um verso é a oportunidade de dispensarmos palavras e linguagem. Essa maldita linguagem à qual se cola a porcaria como à mão do traficante que as moedas gastaram. A palavra, quero-a quando acaba e quando começa.
Cada coisa tem a sua palavra; pois a palavra própria transformou-se em coisa. Porque é que a árvore não há-de chamar-se plupluch e pluplubach depois da chuva? E porque é que raio há-de chamar-se seja o que for? Havemos de pendurar a boca nisso? A palavra, a palavra, a dor precisamente aí, a palavra, meus senhores, é uma questão pública de suprema importância.

Zurique, 14 de Julho de 1916

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Arte Dadá

Auto Retrato Visionário, 1917 Hans Richer
Auto-retrato para Charles Chaplin, 1919 - Georg Grosz
Dada, Armadura Militar, 1918-1920 Marcel Janco
Estojo de um Da, 1920 Hans Harp
Fascinado, 1922 Man Ray

Roda de Bicicleta - 1913 Marcel Duchamp


A fonte - 1917 Marcel Duchamp

Die Grablegung der Vögel und Schmetterlinge Blindnis Tristan Tzara, 1916/1917 Hans Arp

Zeichnung A 3, 1918 - Kurt Schwuitters


Parade Amoureuse, 1917 - Francis Picabia

Bild mit heller Mitte (Picture with Light Center), 1919-Kurt Schwuitters

Photomontage, 1919- Hannah Höch

Tête mécanique l'esprit de notre temps, 1919 - Raoul Hausmann

collage, 1920 Raoul Hausmann

Dadaismo, a anti-arte.

A monalisa de Duchamp, L.H.O.O.Q. 1919

O Dadá ou Dadaísmo foi um movimento artístico que fez parte das vanguardas europeias. Iniciada em Zurique, em 1916, por um grupo de artistas que manifestavam seu repudio ao primeiro grande conflito militar do século passado, a primeira grande guerra mundial, como também criticavam e as convenções sociais da época e o próprio conceito de arte, através da escolha deliberada do absurdo com expressão artística.

Reza a lenda que Dadá, nome escolhido para o movimento, foi escolhido aleatoriamente por Tristan Tzara, um dos grandes agitadores e teórico do movimento, que abriu uma página de um dicionário e inseriu um estilete sobre a mesma. Essa atitude foi feito para simbolizar o caráter anti-racional do movimento na utilização do non-sense ou falta de sentido que pode ter a linguagem.

O Dadaísmo é apresentado pelo forte viés pessimista, irônico, cético e ingênuo, faz oposição a qualquer tipo de equilíbrio e carcterizado pela improvisação, o ilógico e o absurdo, mas apesar da aparente falta de sentido presente nas suas manifestações, o movimento apresentava um sua proposta anti-bélica e anti -violenta .

O Dadaísmo serviu substrato teórico e filosófico para grandes movimentos artísticos posteriores, como o surrealismo e a pop-art.
Pincipais nomes:André Breton, Tristan Tzara, Marcel Duchamp, Hans Arp, Francis Picabia, Max Ernst, Man Ray, Hugo Ball, Guillaume Apolinaire e George Grosz.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Transformer – Lou Reed 1972


Just a Perfect Álbum

Lou Reed sempre foi um cara à margem. Nos final dos anos 60, enquanto na ensolarada Califórnia os hippies cantavam as delicias da liberdade sexual, das drogas e romantizavam a realidade, Reed ao lado de John Cale e a frente do Velvet Underground na cinzenta nova York, também cantava sobre liberdade sexuais, mas por outra ótica. Declamava sobre os efeitos devastadores das drogas pesadas e falava de seus iguais, pessoas que viviam à margem da sociedade de maneira amarga e ultra-realista.

Naquela época, Reed começava uma das mais integras e relevantes carreiras no meio musical. Uma carreira que teria seu ápice entre 1972 e 1973, com o lançamento dos álbuns Transformer e Berlin.

Transformer é o canto de cisne de Reed! Disco produzido por David Bowie, grande fã de Reed, e arranjado por além de cantor inglês, por Marc Ronson, guitarrista dos Spider of Mars e um dos maiores músicos da história do Rock .

O disco trazia toda a fúria e horror característico na obra de Reed frente ao Velvet, mas agora ao invés da erudição de Cale para fazer a contra-partida ao Rock nervoso de Reed, aparecia o tino comercial e a sofisticação musical de Bowie.

Maior sucesso comercial da vida de Reed, o disco é, para mim, perfeito. O álbum é aberto com a Bowieana “I´m so Free” depois é seguida pela clássica e maravilhosa: Vicious (com a matadora guitarra de Ronson), Depois temos “Satelitte of love”, uma das mais belas musicas já feitas e o Hit “Walk On The Wild Side”. As próximas músicas mostram o peso da produção e da influência de Bowie no trabalho de Reed: "Andy´s Chest", "New York Telephone Conversation", "Make Up", depois ouvimos a bela balada "Perfect Day" e a melancólica "Goodnight Ladies" fecha o álbum.


Um outro ponto de qualidade no disco são as letras de Reed. Dotado de irônia, aqui o cantor retorna ao universo que lhe é caro, suas letras são crônicas dos desvairados das ruas de Nova York. Suas letras são habitadas por travestis, bêbados, drogados e prostitutas e narram a vida alternativa que essas pessoas levam.

Baita disco!

Bom, faltou falar do Berlin, mas isso é assunto para outro post.


Bowie, Iggy Pop e Reed na época

Lou Reed - Vicious - live in Paris, 1974


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Miguel Torga

ORFEU REBELDE

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que ha' gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legitima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Família Eraser

Gigia


Mama Iara

Gigia e Eraser
Dani e Gigia
Dani
Fotos: Eraser pelo celular.

Família Eraser Parte II - Gambs e Eraser





Fotos: Eraser de seu potente e moderno celular

Blade Runner - Ridley Scott


"Eu... Eu vi coisas que vocês não acreditariam. Naves de ataque em chamas na órbita de Orion. Eu vi raios-C relampejando no escuro próximo ao Portal de Tannhauser. Todos esses momentos vão se perder no tempo, como lágrimas na chuva... Hora de morrer. "Emocionante monólogo final declamado por Roy Batty (Rutger Hauer) na apoteose do filme.



Blade Runner é o filme mais Cult de todos os tempos! Dirigido por Ridley Scott, o filme é um daqueles poucos que conseguem agradar todos os tipos de público. Desde o mais voltado para um cinema com pretensões artísticas mais sérias e a aquele que vêem no cinema um meio de diversão descompromissada.



Livremente adaptado por Hampton Francher e David Webb Peoples da magnífica novela "Sonham os andróides com carneiros elétricos" De Philiph K Dick, a narrativa se passa em um futuro distópico, onde uma constante chuva-ácida e a superpopulação dão uma dimensão claustrofóbica ao filme. Nesse futuro vemos Deckard (Harrison Ford, espetacular), um Blade Runner - um ex-agente policial que pertencia a um esquadrão de caça de replicantes, uns andróides de ultima geração que se rebelaram.


Por pressão de seus ex-comandantes, Deckard volta à antiga função e sai à procura de um grupo desses andróides para "aposentá-los", mas o ex-agente não encara mais essa atividade como algo natural. Questiona-se sobre a brutalidade e falta de sentido que existe no seu trabalho. Seus questionamentos ficam mais acentuados quando ele conhece e se apaixona por Raquel (Sean Young), um andróide que desconhece sua condição por conta de memórias implantadas.


O filme é recheado de significados e contém muitas interpretações possíveis, desde os sonhos de Deckard( que para muitos também é um andróide) até as diversas questões filosóficas que o enredo levanta, como a busca da identidade, a ética na ciência e nos ambientes corporativos burocráticos capitalistas.


Esteticamente, o filme é um primor! Mesmo depois de quase 30 anos de seu lançamento seu visual retrô-futurista, sua trilha sonora estilizada composta pelo músico grego Vangelis e o arranjo entre filme noir e ficção científica renderam ao filme a legião de fãs que consideram-no um dos 10 melhores filme do cinema americano de todos os tempos.

Grande filme!

Blade Runner - Vangelis Music Video


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Egberto Gismonti - Palhaço

Augusto dos Anjos - 2 sonetos

Volúpia imortal
Cuidas que o genesíaco prazer,
Fome do átomo e eurítmico transporte
De todas as moléculas, aborte
Na hora em que a nossa carne apodrecer?!

Não! Essa luz radial, em que arde o Ser,
Para a perpetuação da Espécie forte,
Tragicamente, ainda depois da morte,
Dentro dos ossos, continua a arder!

Surdos destarte a apóstrofes e brados,
Os nossos esqueletos descamados,
Em convulsivas contorções sensuais,

Haurindo o gás sulfídrico das covas,
Com essa volúpia das ossadas novas
Hão de ainda se apertar cada vez mais!

Pecadora

Tinha no olhar cetíneo, aveludado,
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o simblo do Pecado.

Bela, divina, o porte emoldurado
No mármore sublime dos contornos,
Os seios brancos, palpitantes, mornos,
Dançavam-lhe no colo perfumado.

No entanto, esta mulher de grã beleza,
Moldada pela mão da Natureza,
Tornou-se a pecadora vil. Do fado,

Do destino fatal, presa, morria
Uma noute entre as vascas da agonia
Tendo no corpo o verme do pecado!

sábado, 15 de agosto de 2009

Jimi Hendrix - Purple Haze - Woodstock, 40 anos hoje.

Jimi Hendrix - Purple Haze at Woodstock 1969



Hendrix era foda!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques


Burroughs e Kerouac simulando um briga para a lente de Allen Ginsberg em 1953

Antes de serem os papas da geração beat e de conseguirem fama como duas das maiores expressões literárias de língua inglesa do século passado, os lendários Jack Kerouac do fodástico "On the Road", e Willian Burroughs do não menos foderoso "almoço nu", escreveram às quatro mãos "E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques", Livro maldito que só viria a ser publicado no ano passado, dois anos após a morte do Editor literário Lucien Carr, figura que serviu de molde para a criação da dupla.

O livro é a versão romanceada baseada em fato ocorrido em 1944, às margens do rio Hudson: O assassinato de David Kramer, um professor de meia idade que se apaixonou perdidamente por Carr, um pós-adolescente e aluno de Kramer.

No livro, cada um dos escritores assume alternadamente um capítulo. Cada narrador apresenta a história por um alter-ego. Nos capítulos escritos por Kerouac, o narrador é Mike Ryko um marinheiro desempregado e preguiçoso. Os capítulos de Burroughs, entra em cena Will Denninson, um garçom junkie.

A narrativa acompanha um grupo de jovens muito loucos que fazem parte, além de Denninson(Burroughs), Ryko(kerouac), o jovem Philiph Tourain(Carr) e Ramsay Allen(kramer), que passam os dias bebendo, drogando-se e divagando até que o assassinato modifique suas vidas.

O estilo despojado dos escritores contribui para a fluidez da obra. A narrativa e divertidíssima e o livro passeia por gêneros distintos como a narrativa policial e o drama com leves tons filosófico sem parecer muito "cabeção" ou perder mão da trama.

Grande livro!