sexta-feira, 29 de maio de 2009

O Cão Andaluz


Prólogo

"Era uma vez...
Um balcão de noite. Um homem afia sua navalha junto do balcão. O homem olha o céu através dos vidros e vê...
Uma nuvem clara avançando para a lua cheia.
Depois, uma cabeça de moça, de olhos arregalados. A lâmina da navalha dirige-se para um dos olhos dela.
Agora a nuvem passa pela lua.
A lâmina da navalha atravessa o olho da moça, seccionando-o."


Esse é prólogo do argumento original do filme, filme, não, da "experiência mental", escrita pelo andaluz Luís Buñuel e pelo catão Salvador Dalí chamada "Um Cão Andaluz".

Em aproximadamente 17 minutos, os realizadores, sem uma trama definida ou uma linha linear lógica, descontroem a jovem, porém, já estruturada linguagem cinematográfica. Como também atacam todas as instituições morais e estéticas. Imagens sobre-postas de sonhos distorcidos, Freud, Goya e Sade batidos, misturados e prontos para serem servidos.

Provocador, inconformista, radical, irônico, amoral e onírico, violento, erótico, insano e perturbador. Tudo isso e mais um pouco. Um filme(Experiência Mental, já disse) que grita: liberdade e criatividade, por trás das amarras do bom senso e do real. E ainda hoje, 80 anos depois, guarda o gosto da novidade.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Orfeu (1950) - Jean Cocteau


— Aproxime-se. Você, você.
— Eu?
— Sim.
— O seu nome?
— Orfeu.
— A sua profissão?
— Poeta.
— Aqui diz escritor.
— É quase a mesma coisa.
— Aqui não existe "quase". O que quer dizer com poeta?
— Escrever sem ser escritor
(Diálogo do filme entre Orfeu e os Juízes da morte)


Todo mundo tem um filme preferido certo? Eu, exagerado que sou, tenho alguns. Um dos "mais, mais", sem dúvidas, é Orfeu - Orphée (1950) de Jean Cocteau, um dos maiores artistas do século 20, além de cineasta foi dramaturgo, pintor e poeta de igual talento.

O filme é a visão pessoal e atualizada do trágico mito do Orfeu, é um dos clássicos do cinema tanto por seu apelo universal e imortal que desafiam os limites do espaço e do tempo quanto pela inventativdade e originalidade e seu tratamento plástico e poético que Cocteau consegue.

A narração se passa na França, nos anos 40: Orfeu, (Jean Marais, ator-fetiche do realizador) é um poeta famoso e aclamado, mas entediado com essa condição como também com seu casamento com Eurydice (Marie Dèa). Orfeu fica intrigado e obcecado com umas transições enigmáticas que Capta no carro, local que prefere ficar anotando as mensagens ao invés da companhia da esposa.

Um dia ao caminhar pelas ruas da cidade, conhece a estonteante e elegante Morte (Maria Cassares) e se apaixonam. Ciumenta a morte trama contra vida de Eridyce, quebrando o código de ética das agentes da morte e seus superiores a chamam de volta para o mundo inferior.

A Morte(Casares) e Orfeu(Marais) - Amor Impossível

Se na lenda Orfeu vai ao mundo inferior buscar Eurídice, no filme de Cocteau, vai atrás da morte. Com o auxilio de Heuterbise (Francois Périer) Auxiliar dela, o poeta entra no mundo dos mortos cujas portas são os espelhos. O caminhar de Orfeu para o além é excelente! Uma das melhores sequências da história do cinema! O reino dos mortos é representado por prédios ainda destruídos pelos bombardeiros da segunda guerra mundial, onde o poeta se move em uma velocidade descompassada por entre operários e outros transeuntes ocasionais em situações surreais.

Cocteau e Marais, parceiros na vida e na arte

No reino dos mortos, Orfeu é inquirido por três juízes sobre o acontecimento. Expõe seu desejo de ficar com a Morte, mas é informado que isso é impossível e ele nunca mais a verá, mas poderá voltar para a terra dos vivos em companhia de Euridyce desde que nunca mais olhar para sua esposa.

Orfeu em cena do filme


De volta ao mundo dos vivos, Orfeu faz de tudo para evitar o olhar para a sua esposa, mas acidentalmente, por um espelho, a vê e ela volta para o mundo dos mortos.

Um filme fabuloso, tanto em sua temática quanta em sua categoria. Cheio de imagem lindas, poéticas e desconcertantes. Cinema com "C" maiúsculo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Mário Faustino

SINTO QUE O MÊS PRESENTE ME ASSASSINA

Sinto que o mês presente me assassina,
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul das luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de um cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
À força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio,
Amen, amen vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Joan Miró

Miró em 1954 em seu ateliê


" Miró representava a liberdade. Em certo sentido, era absolutamente perfeito. Não era capaz de pôr um ponto sem fazê-lo no lugar exato: era um pintor de verdade, a tal ponto que bastava deixar cair três manchas de cor cobre a tela para fazer um quadro."Alberto Giacometti

Joan Miró (Barcelona 1893 - Palmas de Maiorca 1983) desde muito jovem sentia afinidades às artes e aos 14 anos, mesmo a contra-gosto de seu pai, ingressou na Escola de Belas Artes de Barcelona, porém seu fraco aproveitamento acadêmico e as pressões familiares, o fazem desistir do curso.

Sobre a influência do pai, passa a estudar em uma escola comercial e se emprega em uma drogaria com guarda-livros, mas a rotina burocrática da função, levam o jovem a um profundo estado de depressão e esgotamento nervoso.

Em sua convalescença, numa fazenda de propriedade de sua família em Montroig, nas montanhas da Catalunha, decide levar adiante seu projeto artístico e agora com o consentimento de seu pai. Ao retornar à Barcelona, passa a frequentar a Acadêmia de Francisco Gali.

Em 1919, decidiu mudar-se para Paris, e trava contatos com as Vanguardas e faz sua verdadeira educação, intuitivamente e desprovido de preconceitos, soube extrair de suas influências substrato para criar sua própria linguagem pictórica. Do Cubismo herdou o apreço pelo abstrativo geométrico. Do Fauvismo o jogo de cores e do surrealismo e do dadaísmo o estudo sobre o fantástico e o irreal e a exploração do inconsciente.

Da mesma forma que fez com sua influências pictóricas, sugou também dos lugares onde viveu matéria importante para sua obra, principalmente da ponte Barcelona /Paris: da Barcelona natal, os afrescos bizantinos da igrejas e a estonteante arquitetura de Gaudí, de Paris a modernidade artística que a cidade respirava.

O pintor, nos períodos de conflitos bélicos do século XX, principalmente a II Grande Guerra e a Guerra Civil Espanhola, compôs alguns dos quadros mais representativos e contestadores do momento. São famosos: O Ceifeiro, Cabeça de Mulher e Constelações.

Miró trabalhou também com cerâmica e esculturas para extravasar sua inquietações pictóricas, e na confecção de murais, sendo os mais notáveis os do aeroporto de Barcelona e os feitos para o prédio da UNESCO.

André Breton apontava Miró como o máximo representante do surrealismo, mas sua pintura não cabem em rótulos. Suas representações imagéticas continham traços com algo mágico, quase infantil e primal aparentemente simples nas formas, mas difíceis de serem elucidadas por sua complexidade.


Portrait of Heriberto Casany - 1918


The Spanish Playing Cards - 1920


Dutch Interior II 1928


The Potato, 1928


Summer - 1936


Head of a Woman - 1938


Woman, Bird and Star in Front of the Moon - 1944


Personnages Dans la Nuit - 1950

L'Oiseaus'enfuitverslespyramids1954

Dawn Perfumed by a Shower of Gold - 1954



Unefemme1958


TracesurlaParoiI1967



PartiedeCampagneI1967

Lithographs IV

L'Esquim au Febrile 1969

leJardindeMousse1968

Fissures 1969


Femme a la Colombe 1969



La cassier 1969

Oda a Joan Miro 1973 (lithograph)

The Garden of Miró 1977

domingo, 24 de maio de 2009

Cannes 2009

VENCEDORES DO 62º FESTIVAL DE CANNES

PALMA DE OURO
"The White Ribbon", de Michael Haneke

GRANDE PRÉMIO DO JÚRI
"Un Prophète", de Jacques Audiard

PRÉMIO ESPECIAL À CARREIRA E SUA EXCEPCIONAL CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DO CINEMA
Alain Resnais

PRÉMIO DE REALIZAÇÃO
"Kinatay", de Brillante Mendoza

PRÉMIO DO JÚRI (ex-aequo)
"Fish Tank", de Andrea Arnold e "Thirst", de Park Chan-wook

MELHOR ACTRIZ
Charlotte Gainsbourg, por "Antichrist", de Lars von Trier

MELHOR ACTOR
Christoph Waltz, por "Inglourious Basterds", de Quentin Tarantino

MELHOR ARGUMENTO
Mei Feng, por "Spring Fever", de Lou Ye

CURTAS METRAGENS

PALMA DE OURO
"Arena", de João Salaviza

MENÇÃO ESPECIAL
"The Six Dollar Fifty Man", de Mark Albiston e Louis Sutherland

UN CERTAIN REGARD

PRÉMIO "UN CERTAIN REGARD"
"Dogtooth", de Yorgos Lanthimos

PRÉMIO DO JÚRI
"Police, Adjective", de Corneliu Porumboiu

CA MÉRA D'OR
(melhor primeira obra a concurso de todas as secções de Cannes)
"Samson and Delilah", de Warwick Thornton



Brillante Mendoza

Charlotte Gainsbourg

Jacques Audiard
Michael Haneke

Brian Eno & David Byrne - Strange Overtones

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Zé Rodrix

Guarabyra, Rodrx e Sá.


Faleceu ontem (21/05/2009) em São Paulo o compositor e multi-instrumentista carioca José Rodrigues Trindade, ou simplesmente o Zé Rodrix.

Rodrix foi figura importante na música brasileira, começou suas atividades no inicio dos anos 70, fazendo parte do grupo Som Imaginário ao lado de Wagner Tizzo e Tavito. Depois fundou o movimento Rock Rural, que fazia uma ponte entre rock folk de Dylan com temática sertaneja brasileira ao lado e Guarabyra. Ainda nos anos 70 compôs com Tavito o sucesso “Casa no Campo” imortalizado por Elis Regina.

Nos anos 80 fez parte da banda iconoclasta Joelho de Porco, lançou os discos "Saqueando a Cidade" de 1983 e "18 anos sem sucesso" de 1988.

Passou grande parte dos anos 80 e 90 se dedicando a publicidade, e em 2001 voltou a formar trio com Sá Guarabyra e lançaram o CD e DVD ao vivo "Sá, Rodrix & Guarabyra: Outra Vez Na Estrada - Ao Vivo", com os seus maiores sucessos.

Vai deixar Saudades...


Mestre Jonas - Sá, Rodrix e Guarabyra


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Blake - O matrimônio do Céu e do Inferno

Provérbios do Inferno
Tradução José Antônio Arantes

No tempo de semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.
Conduz teu carro e teu arado sobre a ossada dos mortos.
O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.
A Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência.
Aquele que deseja e não age engendra a peste.
O verme perdoa o arado que o corta.
Imerge no rio aquele que a água ama.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio vê.
Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.
A Eternidade anda enamorada dos frutos do tempo.
À laboriosa abelha não sobra tempo para tristezas.
As horas de insensatez, mede-as o relógio; as de sabedoria, porém, não há relógio que as meça.
Todo alimento sadio se colhe sem rede e sem laço.
Toma número, peso & medida em ano de m´ngua.
Ave alguma se eleva a grande altura, se se eleva com suas próprias alas.
Um cadáver não revida agravos.
O ato mais alto é até outro elevar-te.
Se persistisse em sua tolice, o tolo sábio se tornaria.
A tolice é o manto da malandrice.
O manto do orgulho, a vergonha.
Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, com tijolos da Religião.
A vanglória do pavão é a glória de Deus.
O cabritismo do bode é a bondade de Deus.
A fúria do leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é a obra de Deus.
Excesso de pranto ri. Excesso de riso chora.
O rugir de leões, o uivar de lobos, o furor do mar em procela e a espada destruidora são fragmentos de eternidade, demasiado grandes para o olho humano.
A raposa culpa o ardil, não a si mesma.
Júbilo fecunda. Tristeza engendra.
Vista o homem a pele do leão, a mulher, o velo da ovelha.
O pássaro um ninho, a aranha uma teia, o homem amizade.
O tolo, egoísta e risonho, & o tolo, sisudo e tristonho, serão ambos julgados sábios, para que sejam exemplo.
O que agora se prova outrora foi imaginário.
O rato, o camundongo, a raposa e o coelho espreitam as raízes; o leão, o tigre, o cavalo e o elefante espreitam os frutos.
A cisterna contém: a fonte transborda.
Uma só idéia impregna a imensidão.
Dize sempre o que pensas e o vil te evitará.
Tudo em que se pode crer é imagem da verdade.
Jamais uma águia perdeu tanto tempo como quando se dispôs a aprender com a gralha.
A raposa provê a si mesma, mas Deus provê ao leão.
De manhã, pensa, Ao meio-dia, age. Ao entardecer, come. De noite, dorme.
Quem consentiu que dele te aproveitasses, este te conhece.
Assim como o arado segue as palavras, Deus recompensa as preces.
Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.
Da água estagnada espera veneno.
Jamais saberás o que é suficiente, se não souberes o que é mais que suficiente.
Ouve a crítica do tolo! É um direito régio!
Os olhos de fogo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra.
o fraco em coragem é forte em astúcia.
A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão ao cavalo como apanhar sua presa.
Quem reconhecido recebe, abundante colheita obtém.
Se outros não fossem tolos, seríamos nós.
A alma de doce deleite jamais será maculada.
Quando vês uma Águia, vês uma parcela do Gênio; ergue a cabeça!
Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para pôr seus ovos, o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.
Criar uma pequena flor é labor de séculos.
Maldição tensiona: Benção relaxa.
O melhor vinho é o mais velho, a melhor água, a mais nova.
Orações não aram! Louvores não colhem!
Júbilos não riem! Tristezas não choram!
A cabeça, Sublime; o coração, Paixão; os genitais, Beleza; mãos e pés, Proporção.
Como o ar para o pássaro, ou o mar para o peixe, assim o desprezo para o desprezível.
O corvo queria tudo negro; tudo branco, a coruja.
Exuberância é Beleza.
Se seguisse os conselhos da raposa, o leão seria astuto.
O Progresso constrói caminhos retos; mas caminhos tortuosos sem Progresso são caminhos de Gênio.
Melhor matar um bebê em seu berço que acalentar desejos irrealizáveis.
Onde ausente o homem, estéril a natureza.
A verdade jamais será dita de modo compreensível, sem que nela se creia.
Suficiente! ou Demasiado.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

William Blake



Willian Blake(1757/1827- Londres) faz parte daquele tipo de artista geniais que tiveram uma vida miserável, na pobreza(trabalhou como ilustrador em uma fábrica de porcelana, para garantir seu sustento) , sem reconhecimento em vida, mas, continuaram fieis ao seus ideais e o tempo tratou de fazer justiça e canonizá-los mais tarde(o poema o Tygre, segundo o crítico Harold Blomm, faz parte do cânone ocidental) .

Foi ilustrador, pintor e poeta, e conseguiu ser de genial em sua três atividades. Mas a insistência constante na temática bizarra e esdrúxula, e suas opiniões radicais como por exemplo: suas apologia ao sincretismo religioso e a liberdade politica, a condenação da injustiça social e os abusos institucionais, fizeram-lhe sempre correr à margem.

Existem duas vertentes que abordam de forma distinta sua obra: uma lhe conferindo o título de místico e voltada para os aspectos metafisico e gnósticos religiosos de sua obra.
A outra vertente, defende o aspecto metafórico de sua mitologia. Defendem um leitura alegórica de sua obra em que o significado real corre abaixo e um nível interpretativo.
Diferenças a parte, o resultado estético que Blake alcança, seja ele pictórico ou escrito, enche de beleza os olhos e a alma(ou cérebro, como queiram) de todos.
O Poeta criou uma mitologia própria, um mundo povoado por Gigantes, anjos e demonios simbolos dos conflitos da alma humana.

Blake ilustrou genialmente 20 livros, entre eles a Bíblia e a Divina Comédia, que infelizmente, morreu antes de finalizar. Dono de uma imaginação febril e astronômica, criou imagens perturbadoras e inentativas.

No Campo das letras, Blake foi arrebatador. Influenciou fortemente a trindade responsável pela renovação poética em língua inglesa: Ponds, Yeats e Elliot. Blake abriu caminho para a geração ultra-romantica, que viria balançar o mundo dos versos e lançaria poetas como: Byron, Wordsworth, Shelley, Keats e Coleridgie. Seus principais livros são: Cancões de Inocência, Canções de Experência, Matrimônio do Céu e do Inferno, entre outros.
Blake foi um amante da liberdade, e louvou as revoluções francesa e americana (The French Revolution - A prophecy - America - A Prophecy). Via nelas as promessas de rendenção que a Bíblia prometia.

O TYGRE
Tradução: José Paulo Paes

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?

Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?

Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?

Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?

UMA IMAGEM DIVINA
Tradução: Mário Alves Coutinho e Leandro Gonçalves

Crueladade tem Coração Humano
Ciúme uma Humana Aparência
Terror, Divina Forma Humana
Vestes Humanas, a Decência

Vestes Humanas, é Ferro forjado
Humana Forma, Forja ardente.
Rosto Humano, forno vedado
Coração Humano, Goela apetente.

A MOSCA
Tradução: José Paulo Paes

Pequena Mosca,
Teus jogos de estio
Minha irrefletida
Mão os destruiu.

Pois como tu,
Mosca não sou eu?
E não és tu
Homem como eu?

Eu canto e danço e
Bebo, até que vem
Mão cega arrancar-me
As asas também.

Se é o pensamento
Vida, sopro forte,
E a ausência do
Pensamento morte,

Então eu sou
Uma mosca travessa,
Mesmo que viva
Ou que pereça.


Algumas Pinturas de Blake




Ancient of Days



The Red Dragon and the Woman Clothed


Elohim Creating Adam


House of Death

terça-feira, 19 de maio de 2009

Stéphanne Mallarmé - o homem que inventou a modernidade

Nota do Pessoal: Esse texto foi influenciado e provocado(no melhor sentido da palavra) pelos posts:Ensaio sobre o pensamento ocidental(e o que a poesia tem a ver com isso partes 1 e dois ) publicado no Barulho Ácido dias 10 e 11 de maio 2009, que você pode ler aqui a pirmeira parte e aqui a segunda.


Aristóteles no Louvre


Aristóteles, a quem Dante chamou de "pai dos que sabem" em a Divina Comédia, criou sistemas de pensamentos que até hoje, 2.300 anos depois de sua morte continuam influentes e de suma importância para o pensamento ocidental. O filósofo escreveu sobre os mais variados assuntos: política, ética, ciências naturais, lógica, história e artes, para esse texto, porém, o último item é o que nos interessa.

A respeito da arte, Aristóteles formulou a divisão dos gêneros artísticos: o épico, o dramático e o lírico, que ainda hoje são utilizados para os estudos sobre arte. É claro que alguns gêneros sofreram algumas mudanças, o gênero épico, por exemplo, não é mais confeccionado em versos como em A ilíada e A Eneida, mas o vemos nos romances de aventura e nos filmes de ação, por exemplo, são seus descendentes diretos.

À poesia, o filósofo grego, racionalizou sobre a sua função, bem como o que seria o belo e o esteticamente agradável em sua composição. Para Aristóteles o fazer poético era antes de qualquer coisa uma imitação da vida e da realidade, uma criação humana que obedeça a um determinado sentido estético e simétrico de elaboração como ritmo, harmonia, rima e versificação. E foi assim por quase 2000 anos.

Tais paradigmas só começaram a ser superados no advento literário dionisíaco do romantismo no final do Século XVII. Formalmente, os poetas começaram a experimentar versos mais livres das amarras simétricas, rímicas ou métricas. Tematicamente a realidade já não era tão importante, agora o que contava mais era o subjetivismo, o idealismo. O conceito estético do belo agora dividia com o grotesco os assuntos abordados e o racional abria espaço para o sentimental.


O simbolismo (outra escola literária celebrava o espírito dionisíaco), apesar de sofrer certa influência estética dos parnasianos, levou às últimas consequências a necessidade do fim da linguagem descritiva poética, com suas construções sinestésicas e abusando de figuras de linguagem por aproximação, deram sequência à revolução e a evolução da poesia começada pelos românticos e que chegaria ao ápice na arte-moderna.

A desconstrução da linguagem para a literatura não veio sozinha, vemos nas artes plásticas a necessidade de renovação que foi a exploração da arte não-figurativa e não imitativa como um Picasso, por exemplo, e na musica com o fim do tonalismo e as evoluções propostas por Schönberg.


Eu procuro o poema como um mistério em que o leitor deve procurar a chave"
(Mallarmé)


É impossível falar de evolução da poesia sem falar de Stéphane Mallarmé (1842/1898) o Francês é o poeta dos poetas, aquele que mais influenciou e despertou admiração entre seus pares pelas suas explorações da multiplicidade da linguagem e pela fragmentação que impôs a ela, moldando-a e lapidando-a sempre buscando novas formas criou uma obra pela destruição e não pela contribuição.

Podemos ver toda essa grandiosidade no seu poema-equação "Um lance de dados, jamais abolirá o acaso" cujos versos estão espalhados por 21 páginas em letras de tamanhos diferentes em posições disformes que o leitor pode ler em diferentes sequências. Versos aleatórios, com um forte apelo visual e apresenta uma ideia circular.

Segundo Octávio Paz "este poema que nega a possibilidade de dizer algo absoluto é a consagração da impotência da palavra e afirmação plena da soberania da palavra. Não diz nada e é a linguagem em sua totalidade", ou seja, o poema é luta angustiante poeta pela palavra inédita ou pelo sentido novo para a palavra.

Não só pelas formas o poema e ousado, o seu sentido caótico e desordenado possibilita várias leituras profundas. O próprio nome que o poema já é retórico e filosófico o suficiente para milhares de indagações e reflexões. O poema é uma busca circular pelo acaso, pelas dúvidas e pelo inesperado. Nele, correm aleatoriamente palavras que celebram a incerteza, o sentido (ou sua falta ) nas possibilidades de desdobramentos infinitos.

Um lance de dados é o poema como o qual Mallarmé inventou a modernidade. Desde a prosa poética de James Joyce em finnegans wake, passado pelo cubo-futurismo de Maiakovski e os ideogramas de Pound até chegar ao concretismo dos irmãos Campos e companhia, todos beberam dessa água.




Mallarmé por Èdouard Manet 1876



Abaixo, o começo uma parte do meio e o final do poema. Juro que tentei postar ele inteiro, mas não tive capacidade de arranjar ele de forma a não perder suas genialidade.


UM LANCE DE DADOS


.

.

.



JAMAIS





.......MESMO QUANDO LANÇADO EM CIRCUNSTÂNCIAS



ETERNAS

.

.

....................
DO FUNDO DE UM NAUFRÁGIO (...)

.

. .

.

..

.

.

JAMAIS ABOLIRÁ(...)

. .

. .

.




.

.



O ACASO (...)

.

.

.

..



vigiando

...............duvidando

..................................rolando

..................................................brilhando e meditando

.....................................................

.............................................
antes de se deter

...................................em algum ponto último que o sagre

.

.

.......................Todo Pensamento emite um Lance de Dados

.

.

.

"Tridução": Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos
Fonte de pesquisa: Mallarmé - CAMPOS, Haroldo e Augusto ; PIGNATARI, Décio - ED prespectiva, 3 edição 2006

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Barry Lyndon(1975) - Stanley Kubrick

Apontar um único filme como o mais ambicioso da carreira do diretor norte-americano Stanley Kubrick não é uma tarefa fácil. Mesmo em seu filmes menos excepcionais, exemplo: Fear and Desire(1953) e Killer´s Kiss(1955), há respiros de ousadia, genialidade e ambição. Kubrick primava pela excelência e foi um dos cineastas que alcançou esse nível em quase todos seus filmes.
Pelo resultado técinico alcançado e pela beleza plástica das cenas, Barry Lyndon(1975) merece esse título.

O filme é baseado na obra homônima de William Makepeace Thackeray, e retrata a vida de um certo Redmond Barry, um irlandês de origem humilde e romântico, da sua ascenção social até a nobreza que lhe valerá o título de Sir Barry Lyndon, e da sua decadência tanto moral quanto social.


No elenco, Ryan O´Neil interpreta Barry, e apesar de todas suas limitações técnicas, surpreende adequando-se ao pedantismo e brutalidade necessárias para viver o anti-herói Lyndon. O resto do elenco gira perfeitamente. Destaques para a a interpretações Languida e frágil de Maria Bereson como Lady Lyndon. Reza a lenda que Kubrick repetiu diversos takes em até mais de 100 vezes, procurando captar o momento perfeito, uma variação cinematográfica do instante-mágico do Cartier-Bresson .




O filme ainda conta um figurino estonteante, todo confeccionado originalmente no século XVIII, e com uma caprichadíssima trilha sonora(Marca registra de Kubrick). Misturando marcha militares, músicas folclóricas e peças de autoria de: Haendel, Mozart, Bach entre outros. Um mergulho no Europa dos séculos XVII e XVIII.

E finalmente chegamos no momento mágico do filme, o casamento da edição das imagens, da montagem com a direção fotográfica, o casamento entre a forma e o conteúdo.

Diante da impossibilidade tecnológica para satisfazer suas exigências fotográficas, Kubrick solicitou umas câmeras antigas à Warner que possuíam uma maior abertura na frente, e em parceria com a empresa Cinema Products, acoplou lentes desenvolvidas pela NASA nessas câmeras e as usou para fins específicos, como as situações de luz fraca por exemplo: as cenas internas com iluminação por velas.


No filme a edição funciona para dar suporte e valorizar a cuidadosa fotografia, a montagem é apresenta um ritmo lento, longo e contemplativo, transformando cada cena em quase um pintura, é o filme mais bonito plasticamente que já vi.

o filme ganhou 4 Oscars: Melhor Fotografia(John Alcott), Melhor Direção de Arte(Roy Walker), Melhor Figurino(Milena Canonero e Ulla-Britt Söderlund) e Melhor Trilha Sonora(Leonardo Rosenman e The Chieftains) Recebeu ainda outras 3 indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

Cinema com "C" maiúsculo!





Sarabande - Haendel

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Aparição - Vergílio Ferreira

Existencialismo à portuguesa.

"A minha presença de mim a mim próprio e a tudo que me cerca e dentro de mim que não sei - não do olhar dos outros- os astros, a Terra, esta sala, são uma realidade, existem, mas é através de mim, que se instalam em vida: a minha morte é o nada de tudo"

Publicado em 1959, o romance "A Aparição", Obra-prima de Virgílio Ferreira, descende direto de uma linhagem literária existencialista que vai de Albert Camus, André Malraux, Lúcio Cardoso até Sartre, que através de seus escritos literários: romances, peças, novelas e contos; relataram o espanto de existir e viver, o absurdo da condição humana diante da vida e principalmente da morte e a falta de sentido na existência.

O romance é narrado pela personagem principal, Alberto Soares, em um primeira linha narrativa temporal, encontra-se velho em um antigo casarão e revive suas memórias. Nessas lembranças, acompanhamos uma outra linha temporal em que a personagem, agora mais jovem, recem-chegado a cidade de Évora, na qualidade de professor, para dar aulas no Liceu da cidade.

Em Évora, estabelece amizade com Dr. Moura, antigo conhecido de seu pai, e com as filhas do médico: Ana (casada com um Homem rude e distante chamado Alfredo), Sofia (uma mulher problemática com que Alberto terá um relacionamento conturbado) e a doce e angelical Cristina. Através de Moura ainda conhecerá outros moradores da cidade, como o o engenheiro Chico, (com quem travará alguns embates de ordem politicas e filosóficas) e Carolino, o bexiguinha(jovem aluno de Alberto em que num primeiro momento vê como um discípulo.

Em uma terceira linha temporal vemos Alberto ainda garoto e um evento que marcará a visão do jovem para sempre, a morte de seu cão Mondego. Essa proximidade da morte, instigará o Alberto a questionar o sentido da vida angustiantemente a todo momento. A Morte tem um papel importante no desenvolver da obra, e vai pontuando a narrativa, as dos pais da personagens quanto as mortes das tragédias que se abateram em Évora.

De volta à segunda linha temporal passada em Évora, a vida vai passando. Alberto além das aulas no Liceu, dá aulas particulares de Latim para Sofia, e acaba tendo com ela um relacionamento secreto. No colégio, da aula para Carolino que se mostra o mais participativo e influenciado pela retórica de Alberto.

Com o fim do ano, a cidade que tão bem acolheu Alberto começa a lhe ficar hostil. O reitor do Liceu o repreende pelo teor filosófico pouco apropriado de suas aulas, Chico, que a princípio lhe era amigo, passa a duro opositor de suas ideias existenciais e Sofia passar a namorar Carolino, mas continua visitando o professor.

Em um trágico acidente de carro dirigido por Alberto, Cristina morre deixando ainda mais conturbado o ambiente. Carolino começa a demonstrar um comportamento psicótico e violento, com ciúmes de Alberto e Sofia, tenta matar o primeiro mas é subjugado pelo professor, humilhado, se vinga no vértice mais fraco do triângulo amoroso, mata Sofia.

Viver em Évora torna-se impossível para Alberto, Ele se muda para Faro, cidade ao sul de Portugal, lá se casa, tem filhos e envelhece. Com a morte da mãe, vai visitar o casarão de sua família, e inicia a narração do começo da história.

Do ponto de vista estilístico, A Aparição arranca suspiros. Com suas analepses bem amarradas, com sua prosa quase lírica, rica em símbolos e em emoções e com suas descrições fotográficas perfeitas das situações e personagens. Cada reflexão que a personagem de Alberto Soares faz além de um convite a indagar sobre a falta de sentido da vida, e a falta de razão da morte de maneira poética.

Do ponto de vista temático, o romance mergulha no existencialismo, não por modismos ou apenas por estilos. Não é baseado em crenças e sistemas alheios, mas em uma visão pessoal. A Personagem principal procurava por uma revelação, uma "aparição" e a procura no único lugar que pode encontrar, dentro de si mesmo.

A Aparição não é um livro de respostas. Sim um de perguntas. É livro que dificilmente vai passar sem deixar sua marca em quem ler. Decerto depois de ler, alguns incômodos lhe acertem, mas, talvez ai você comece a fazer sua procura ou encontre seus objetivos. Grande Livro!

Trecho:

"...., porque a chuva tem para mim o abalo da revelação e abre como auréola o halo da memória ao que nela aconteceu. Subtilmente, aliás, é à vibração inefável das horas da natureza que eu posso reconhecer melhor o que me vivi no passado. Um sol matinal, a opressão das sestas do Verão, o silêncio lunar, os ventos áridos de Março, os ocos nevoeiros, as massas pluviosas, os frios cristalizados são o acorde longínquo da música que me povoa, tecem a harmonia vaga de tudo o que fiz e pensei. A minha vida assinala-se em breves pontos de referência. Mas esses pontos, como os de uma constelação, abrem-se ao que os ressoa como música das esferas, vêm de longe até mim não no que os concretiza mas na névoa que os esbate como um murmúrio de nada. O passado não existe. Assim me acontece às vezes que toda a minha vida de outrora se me revela ilegível : o que a forma são factos, sentimentos que se analisem ou reconheçam, mas os ecos alarmantes de um labirinto onde a chuva, o sol ou o vento repercutem e quase criam uma estranha vibração. São vozes que me chamam dos quatro cantos do espaço e eu não ouço senão quando a aura das horas mas lembra. Daí que me acusem às vezes de. Ainda um dia hei de falar desse equívoco da. Porque não há retórica apenas na inflação da garganta. Há-a do empolamento como do esquematismo; do calor como da frigidez; do sentir como do pensar; da emoção como da inteligência. Se Hugo é retórico, é-o também Mallarmé; Lívio como Tácito, Sá-carneiro como Pessoa, Camilo como Eça,Régio como Torga. A pode não separar um autor de si próprio : separa-os a nós dele, quando não o aceitamos. A própria vida será retórica para aquele que está morto... Hei de falar disto aos meus alunos. Conheço uma certa emoção das horas, sei da aparição dos instantes-limite, das vozes submersas, e gostava de falar aos outros essa notícia. Há uma vida atrás da vida, uma irrealidade presente à realidade, mundo das formas de névoa, mundo incoercível e fugidio, mundo da surpresa e do aviso. Assim o próprio presente pode ter a voz do passado, vibrar como ele à obscuridade de nós. A minha retórica vem do desejo de prender o que me foge, de contar aos outros o que ainda não tem nome e onde as palavras se dissipam como a névoa do que narram."

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Diane Arbus

Diane Arbus, Self-portrait, pregnant, NYC, 1945
"a maioria das pessoas passam a vida temendo uma experiência traumática. Os freaks nasceram banhados pelo trauma. Com isso passaram no teste da vida. São aristocratas". Diane Arbus

Você olha para uma foto e pum! Uma sensação entranha que te repele. Aquela imagem logo começa a te incomodar, você sente um misto de desconforto e asco, mas te atrai também. Embora você esteja chocado com aquilo, você fica observando por mais tempo do que esperava.
Aquela foto que nada tem de belo, pelo contrário até, te hipnotiza É verdade que o mórbido atrai o ser humano, e eu, como representante da espécie fico lá, admirando, mas não é só isso. Aquele retrato, daquela pessoa "diferente" me faz pensar, a refletir se sou tão diferente do que vejo. Além de despertar em mim uma empatia tremenda.

Assim mesmo, e em poucos segundos, reagi quando vi pela primeira vez algumas fotos da Fotógrafa norte-mericana Diane Arbus.

Diane Nemerov nasceu em 1923 em New York, casou-se aos 18 anos com o fotógrafo de moda Alan Arbus, com quem teve as suas primeiras experiências fotográficas. Trabalharam juntos por dez anos, enquanto Allan fotografava, Diane produzia os trabalhos. Com o passar do tempo passou a contribuir com as fotos também.

Em 1959 abandona o marido e os filhos e decide se dedicar a sua carreira. No início dos anos 60, iniciou à carreira de foto-jornalista e publicou na Esquire, The New York Times Magazine, Harper`s Bazaar e Sunday Times, entre outras revistas. Em 1962 e 1966, ganhou bolsa de estudo da Fundação Guggenheim e, em 1967, teve sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna. Depois se dedicou a ensinar fotografia na Escola Desigin de Rhode Island em Nova Iorque entre 70 e 71.
Em julho de 1971, já célebre e reconhecida, a fotógrafa se suicidou ingerindo barbitúricos e cortando os pulsos.

Suas fotos abalam e desconcertam quem as vê, superam os aspectos técnicos e formais, são verdadeiras metáforas enigmáticas da condição humana.

Ao escolher seus modelos, pessoas com algum tipo de anomalia física ou mental, gêmeos, travestis, prostitutas, naturistas, artistas de circo, idosos em asilos, subverte as idéias de belo e do aceito. Ao mostrar o grotesco e os excluídos em suas fotos, Arbus oferece uma visão totalmente introspectiva, e paradoxalmente, próxima da realidade.

Child with a Toy Hand Grenade in Central Park, N.Y.C., 1962

A Husband and Wife in the Woods at a Nudist Camp, NJ, 1963

Waitress Nude, 1965

Young Girl Nudist, 1965

Girl with a Watch Cap, New York City, 1965

a family one evening nudist camp 1965

Triplets in their Bedroom, 1967

Two Girls in Matching Bathing Suits, 1967.jpg

Identical Twins, Roselle, N.Y.,1967

Woman at Masked Ball, 1967

two men at a drag ball 1970

tatooed man at carnival 1970

masked woman in a wheelchair 1970

Jewish Giant at Home with his Parents, 1970

Hermaphrodite and Dog in Carnival, 1970

Albino Sword Swallower at a carnival, Md. 1970

untitled 1970 71

untitled 1970 71

Masked man at a ball 1971