quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Crepúsculo do Deuses (Sunset Bolevard) 1950 - Billy Wilder


Em uma mansão no número 10008 da badalada Sunset Boulevard em Hollywood , um homem é alvejado por dois tiros e cai em uma piscina. Tal qual Brás Cubas o narrador póstumo da obra de Machado de Assis, começa a narrar os fatos que o levaram a esse trágico acontecimento.
Deste jeito, começa o filme "O Crepúsculo dos Deuses"(Sunset Bolevard), ´clássico realizado pelo lendário diretor austríaco, Billy Wilder em 1950.

O filme é considerado o mais dark dos film-noir, apesar de se distanciar tematicamente desse gênero ao não ter os detetives espertos e as femme-fatales tão presentes, porém, retrata o mundo urbano em um olhar sombrio, cínico, cheio de falsidade e sem escrúpulos. Na trama vemos Norma Desmond(Gloria Swanson), uma antiga diva do cinema mudo, que vive na amargura do esquecimento. Vítima da transição do cinema sonoro, mora em uma velha mansão e em mundo de delírios, é obcecada com o regresso às luzes da ribalta e tem em Max Von Mayerling (Erich Von Stroheim), seu fiel mordomo, o alimento que precisa para deu ego e os seus delírios.

Joe Gillis(William Holden) é um ambicioso roteirista fracassado, que perseguido por credores se refugia em casa da atriz. Nesse contato ele percebe uma conveniência, e vai alimentado os sonhos dela. Gillis ajuda a atriz a escrever um roteiro e ela passar a ter a perspectiva de fazer um grande filme e assim voltar ao holofotes. Entretanto, Norma acaba se apaixonado por Gillis, e vão desenvolvendo uma relação delirante e destrutiva, anunciando a tragédia no começo.

A direção de arte do filme é sensacional! Como também o roteiro escrito por Wilder, Charles Brackett, D.M. Marshman Jr.! O filme é uma critica feroz ao star-system americano, que cria e destrói iolos com a mesma e impressionante velocidade. O filme também expõe o lado sombrio do ser humano, sua fraquezas seus sonhos e sua decepções.

O elenco também funciona bem. Destaque para a interpretação antinatural de Gloria Swanson que usa das expressões exageradas para compor uma Norma Desmond caricata e sinistra. Willian Holden está perfeito mostrando um homem em conflito lutando para não perder a sua decência. Completam o elenco, Erich Von Stroheim e Nancy Olson. O filme ainda tem as participações especiais do realizador Cecil B. De Mille, a colunista Hedda Hopper e estrelas do cinema mudo como Buster Keaton, Anna Q. Wilson e H.B.Warner, todos interpretando a si mesmos.

Um filme para ser visto e revisto mais de cem vezes e ser aplaudido de pé cada um delas. Cinema com "C" maiúsculo!

Nancy Olson, Holden, Swanson e von Stroheim

A magnifica apoteose do filme

Murilo Mendes

Poemas (1930)

O Mundo Inimigo

O cavalo mecânico arrebata o manequim pensativo
que invade a sombra das casas no espaço elástico.
Ao sinal do sonho a vida move direitinho as estátuas
que retomam seu lugar na série do planeta.
Os homens largam a ação na paisagem elementar
e invocam os pesadelos de mármore na beira do infinito.
Os fantasmas vibram mensagens de outra luz nos olhos,
expulsam o sol do espaço e se instalam no mundo.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Fecha a boca, Mané !

Braga, Tom Zé e Eraserhead no Camarim do Centro Cultural Vergueiro

Caramba! O tempo passa mesmo! Essa foto deve ser de 1996 ou 97 e foi tirada pela Naiara em um daqueles célebres shows que lembrei no post do show do Tom Zé.

Braguinha e Naiara... valeu pela foto!

Obrigado aos dois pelo elogio. Também acho que dos três modelos, eu estou melhor hoje em dia.

P.S.1: E não adianta mandar comentário negando que eu não publico.
P.S.2: O Título do post é um conselho ao senhor Braga... Impressionante...Só sai de boca aberta nas fotos!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Marc Chagall


Marc Chagall nasceu em Vitebsk, Bielorrússia em 1887. Foi ceramista, gravurista e pintor, sendo que nessa última atividade, consagrou-se com um dos maiores do mundo de sua época.

Chagall viu de perto o resultado de toda infervecência politica, bélica e social que o século XX produziu. A revolução bolchevique, duas guerras mundiais e o e a perseguição semita( ele era judeu praticante), e mesmo assim, optou por não fazer uma arte de cataclismos e desesperos. Suas pinturas eram luminosas cheia de cores brilhantes. povoadas por anjos e casais e são cheias de esperança.

Viveu em Paris de 1910 a 1914 ficou maravilhado com as cores da cidades e tomou contato e foi influenciado pela vanguarda, principalmente pelo Fauvismo e suas cores alegres, e o cubismo no que diz respeito à geometrização das formas, mas seu estilo era pessoal e original, imaginativo e irrealista, da forma que as leis da gravidade e do espaço-tempo não se aplicam em seus quadros.

Na I Guerra, foi nomeado Comissário das Artes de Vitebsk, lá permanecendo até 1922, quando decide voltar a França, começa a fazer ilustrações como as fábulas de La Fontaine e Almas Mortas de Gogol. Em 1941 refugia-se nos EUA fugindo da perseguição nazista. Retorna definitivamente à França em 1947, instalando-se no sul do país, em Saint-Paul de Vence, onde ficou até sua morte em 1985.

Chagall foi um dos percursores do surrealismo. E apesar de nunca ter aderido ao movimento, seu nome sempre aparece associado com um de seus mais notáveis representantes.
O pintor repudiava a doutrina do automatismo subconsciente na expressão pictórica, vertente liderada por Miró,mas se aproximava aos surrealistas que exaltavam o sonho, o misterioso e o inconsciente, vertente de Magritte e Dalí.




Russian Village under the Moon, 1911




The Poet with the Birds - 1911




The Betrothed - 1911




Calvary, 1912




Homage to Apollinare, 1911 -12





The Soldier Drink 1911- 12



The Flying Carriage, 1913



Paris Through the Window - 1913



Birthday - 1915



Lovers in Gray, 1916



Summer-House Window. 1917



Gogol 1917



The Promenade, 1917



Above the Town. 1914 - 1918



The Vision 1924-25



Peasant Life (La Vie paysanne), 1925


The Three Acrobats, 1926


The Woman and the Roses - 1929



The Woman and the Roses - 1929

Nude over Vitebsk, 1933


White Crucifixion, 1938

Madonna of the Village, 1938-1942

Songe d'une Nuit d'Eté, 1939


The Bride and Groom of the Eiffel Tower, 1938-1939



The Three Candles, 1938-1940



Green Lanscape, 1949


Evening at the Window, 1950


The Goat and the Flowers - 1950



The Blue Circus - 1950



The War, 1964-66



Self-portrait, 1959-1968



The Parting of the Red Sea, 1966



Circus in the Village, 1969

The Painter and His Wife, 1969


Eve, 1972


The Sun of Paris, 1975



The Dream, 1978



The Grand Parade, 1979-1980

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ele Não Está Tão a Fim de Você - 2009


Clichês, clichês e... Mais clichês

-Se um cara não liga após o encontro ou não dá sinais de interesse, a coisa é simples, ele não está a fim.-

Partindo dessa leitura simplista, mas com algum fundamento, o diretor americano Ken Kwapis, apresenta o seu último filme - Ele Não Está Tão a Fim de Você, He’s Just Not That Into You (EUA, 2009)

O filme é uma adaptação do livro de auto-ajuda "Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você", escrito por Greg Behrendt e Liz Tuccillo (consultor e editora da história do seriado "Sex and the City",respectivamente).

Alias, série e filme contém muitas coisas em comum. A começar pelo humor tirado das diferenças entre homens e mulheres em relacionamentos amorosos. Você pode até não gostar da série, como é meu caso, mas não dá para negar que o retrato que enlatado tece da visão feminina dos relacionamentos amorosos é original, verdadeiro e inteligente.

Já no filme, as coisas não vão tão bem.... a história transita em torno das nove personagens do filme, com um enfase maior nas femininas, e nos seus dilemas. Gigi ( Ginnifer Goodwin) é romantica sonhadora que depois de passar maus momentos, conquista o mulherengo bem resolvido(Justin Long).

Ben Affleck(em interpretação a baixo da critica), interpreta Neil, namorado de Beth (Jennifer Aniston), e apesar de ser o sonho de qualquer mulher, dedicado e companheiro não quer casar. O que vai de encontro com o sonho desta. Não precisa pensar muito para descobrir como será a conclusão.

A terceira trama conta com o casal Ben (Bradley Cooper) e Janine(Jennifer Connelly), que ao entrar na mesmice cotidiana, Ben passa a ter um romance com Ana (Scarlett Johansson) uma cantora em busca de sucesso que esnoba o "amigão" apaixonado por ela Cornor (Kevin Conolly) Dummondiano, não acham?

Mais impressionante é papel de Drew Barrymore, completamente dispensável e afastado de tudo e sem a menor relevancia para o desenvolver da história, como dizem lá em casa, "mais perdida que cão em dia de mudança".

Kwapis, que nunca foi um diretor regular, aqui volta a errar o alvo. A caracterização das personagens tanto do ponto de vista psicológico é superficial e sonsa, o desenvolvimento dos conflitos seguem a "cartilha das comédias românticas" ao pé da letra. Tudo muito igual a um monte de coisas que você já viu.

Outro ponto negativo para Kwapis é falta de dinamismo na direção dos atores. O elenco, apesar de se composto por nomes badalados, não consegue uma performance aceitável, só se salvando Goodwin e Long.
Um Filme para esquecer.

sábado, 25 de abril de 2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Gomorra - 2008


Esqueça os mafiosos glamourosos, limpos e elegantes de produções como a soberba trilogia " O Poderoso Chefão" que Coppola fez nos anos 70 e 80. Em Gomorra , o buraco é mais em baixo. O filme é um mergulho Hiper-realista em um mundo cru, violento e brutal da Camorra, uma das facções mais viloentas da máfia napolitana.

Com uma câmera inquieta e próxima a ação, segue a narrativa onde cruzam-se cinco histórias em redor das vidas de:
Totó (Salvatore Abruzzese), a melhor de todas, a qual um garoto seduzido pelo poder e a falsa qualidade de vida que a máfia oferece e vai viver um dilema moral;
Pasquale (Salvatore Cantalupo), um costureiro talentoso que desafia a máfia ao ensinar seu ofício a alguns chineses em troca de dinheiro;
Don Ciro (Gianfelice Imparato), um burocrata da facção responsável pela entrega do dinheiro a familiares dos soldados da facção.
Maria (Maria Nazionale) mãe de um rapaz que muda de lado e passa para uma família rival;
Franco (Toni Servillo) um empresário que trabalha com lixo tóxico e Roberto (Carmine Paternoster) um rapaz com dificuldades para arrumar um emprego e vai trabalhar com Franco, mas logo vê que o empresário trabalha servindo indiretamente a Camorra;
Marco (Marco Macor) e Ciro (Ciro Petrone, muito bem), dois malucos marginais independentes e fãs de Tony Montana, personagem vivido por Al Pacino em Scarface, que pisam nos calos da máfia.
Todas as cinco histórias têm naturezas diferentes, contudo estão ligadas e de uma forma ou de outra à poderosa Camorra, e no final, todas as personagens passarão por um acerto de contas com a máfia.

O filme transmite um realismo e uma credibilidade impressionantes na forma como retrata a corrupção e a violência praticada dia a dia, nas ruas sujas de Nápoles, onde não existem heróis ou vilões, sim vítimas de um sistema que revive os feudos e está impregnado na cultura e na sociedade Italiana.

Gomorra é baseado no livro de mesmo nome do jornalista italiano Roberto Saviano, que desde o lançamento do livro tem a cabeça a prêmio e vive sob proteção policial. O filme dirigido pelo italiano Matteo Carrone ganhou o Grand Prix de Cannes em 2008, e por onde passou, causou alvoroço e é isso mesmo, de cair o queixo. Um filmão!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

W.B.Yeats


William Butler Yeats (13 de junho de 1865, Dublin, Irlanda / 28 de janeiro de 1939, Menton /França), poeta e autor teatral, Prêmio Nobel de Literatura em 1923. Foi figura central do Renascimento irlandês( Celtic Revival), um dos inovadores da linguagem poética inglesa e um dos escritores mais destacados do século XX.

Nos quase 70 anos da Era Vitoriana, a literatura de língua Inglesa não produziu nada relevante em verso e nem revelou nenhum poeta de destaque. Nesse hiato, Yeats apareceu e iniciou a reforma a poética inglesa.

O poeta, a princípio, dedicou-se a temas irlandeses e nacionalistas e apresentava uma forte tendência Simbolista e decorativa, na sua evolução, alia suas visões pessoais às várias vertentes poéticas modernas e mergulha nos mistérios da imaginação explorando temas como a mitologia e o esoterismo.

Para Yeats, o homem modernos perdera a visão partilhada do mundo, afastando-se da mitologia e do imaginário, e o seu papel como poeta, era devolver essa unidade. Seus versos eram simples e despojados, mas bem arranjados e remetiam belas imagens.

Yeats fora atuante politicamente, tendo sido Senador da Irlanda de 1922 até 1928. Apresentava opiniões políticas polêmicas e discutíveis, admirava Mussolini e era favorável a eugenia. O poeta também tinha grande interesse em religião. Foi membro da Sociedade Teosófica e estudou ciências ocultas que lhe serviram de base para compor alguns livros, principalmente em "A Vision" livro que escreveu parte em uma espécie de transe, um tipo de psicografia. o que Yeats chamava de escrita automática.

Politico, reacionário, fascista e místico W.B.Yeats foi sobretudo poeta. E todas as opiniões políticas decepcionantes reduzem sua obra, que é uma das mais estudadas da literatura ocidental.


CANÇÃO DO DELIRANTE AENGUS
Tradução: José Agostinho Bapitista


Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.
Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.
Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.

A ROSA DO MUNDO
Tradução: José Agostinho Bapitista

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.


A UMA CRIANÇA QUE DANÇA NO VENTO
Tradução: José Agostinho Bapitista

Dança aí junto ao mar;
Que te importa
O rugido da água, o rugido do vento?
Sacode tua cabeleira
Molhada de gotas de sal;
Tu que és tão jovem ignoras
O Triunfo do néscio, não sabes
Que o amor mal se ganha e logo se perde
Nem viste morrer o melhor operário
E todos os feixe por atar.
Por que hás-de temer
O Terrível clamor dos ventos.

A MÁSCARA
Tradução: José Agostinho Bapitista

Tira essa máscara de ouro ardente
E olhos de esmeralda.
Oh não, meu amor, atreves-te demasiado
A ver se um coração é selvagem e sábio,
sem ser frio.

Só quero ver o que houver pra ver,
O amor ou engano.
Foi a máscara o que ocupou a tua mente,
E fez bater o teu coração,
Não o que está por detrás.

Mas a não ser que sejas minha inimiga
Devo inquirir.
Oh não, meu amor deixa tudo como é;
Que importa,se entretanto houver fogo
Em ti e em mim?

UMA CAPA
Tradução: José Agostinho Bapitista


Uma capa fiz do meu canto
Debaixo a cima
Bordada
De antigas mitologias;
Mas tomaram-na os tolos
Para exibi-la ao mundo
Como se por eles fora lavrada.
Deixa, canto, que a tomem
Pois maior feito existe
Em andar nú

O PRAZER DO DIFÍCIL
Tradução: Augusto de Campos

O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado
Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,
Sob o chicote, trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem
As peças de teatro que se escrevem
Com cinqüenta montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários,
E a guerra cotidiana com seu gado,
Afazer de teatro, afã de gente,
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado.

AS VOZES ETERNAS
Tradução: Izabella Drumond

Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam;
Vão até aos guardiões das hostes celestiais
E os ordene que vagueem obedecendo à Tua vontade,
Chamas sob chamas, até o Tempo deixar de existir;
Não tem você ouvido que nossos corações estão cansados,
Que você tem chamado por eles nos pássaros,
nas marés pela beira-mar?
Oh, doces e perenes Vozes, permaneçam

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Os Desajustados - The Misfits 1960

A Bela Melancolia


Em os Desajustados, o diretor John Hosuton juntou três dos maiores ícones do cinema americano: Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift, para interpretam personagens que em maior ou menor grau, eram reflexos de si próprios e do momento delicado que vivam. Resultado: Um clássico de emocionar e admirar!

Monroe em cena antológica do filme, jogando ping-pong

Marlyn Monroe faz aqui sua melhor performance no cinema interpretando Roslyn Taber, um jovem recém-divorciada com ares inocentes e desiludida com seus relacionamentos, bem como na vida real, a qual viva os últimos momentos do relacionamento que se desintegrava com o dramaturgo Arthur Milller(que escreveu o filme e personagem para ela.) A Atriz passava por uma piora em seu estado psicológico, e um médico ficou 24 horas a sua disposição durante as filmagens. Foi o último filme da atriz.

Gable em outra cena antológica, depois de dominar um Mustang

Clark Gable vive Gay Langland, um cowboy decadente que conquistas mulheres divorciadas e vive da capturar de cavalos selvagens. O ator que era casado com a atriz Kay Williams, era muito infeliz. Nunca superou a perda da ex-esposa Carol Lombard em acidente aéreo. A decadência da personagem refletiam a sua própria, em seus olhos um olhar cansado que pouco lembrava aquele que já fora conhecido como o "Rei de Hollywood" e havia feito 89 filmes e tinha sido o sonho inúmeras mulheres. Gable morreu em novembro de 1960, pouco depois de finalizar o filme.


Clift todo machucado depois do redeio

Montgomery Clift interpreta Perce Howland um decadente participante de rodeios que se machuca toda vez que monta e pouco consegue ficar em cima da montaria. Clift foi um dos 5 maiores atores de todos os tempos e todos conhecem o drama que viveu depois do acidente de carro que sofreu em 1956 ao sair de uma festa da casa de Elizabeth Taylor. O acidente deixou marcas físicas e psicológicas permanentes do ator, sua vida errante regrada a bebidas e barbitúricos ficou conhecida como " O mais longo suicídio da história".

Completam o elenco Telma Ritter como Isabelle Steers, amiga de Roslyn e Eli Wallach como Guido, um ex-combatente da 2ª guerra que não consegue superar a morte da esposa.

Marlyn e Clift com as câmeras desligadas


O Filme tem como pano de fundo a cidade de Reno, em Nevada, onde Rosalyn ao sair da audiência de seu divórcio e acopanhada de sua amiga Isabelle conhece Gay e encontra com Guido, decidem depois de umas rodadas de wisky irem até a casa do Guido continuar com a balada etílica. Gay e Rosalyn acabam se envolvendo. Ao irem a um rodeio dão carona para Perace , a quem convirão para ajudar a captura dos cavalos.

Observa-se uma tensão sexual forte em volta da personagem de Marlyn. A beleza cansada dela e a sua vulnerabilidade explicita gera uma disputa entre as outras personagens por sua atenção.

O Filme tem como tema a solidão e a incapacidade de ser feliz que algumas pessoas carregam. Fala sobre decadência física e moral que o tempo reserva a quase todos. Um roteiro brilhante cheio de diálogos excelentes, uma direção realista e precisa. Cinema com "C" maiúsculo!

Foto do elenco, diretor e roterista