terça-feira, 31 de março de 2009

Não Gostei do Filme dos Irmãos Coen, e daí?


Antes de entrar no assunto a ser abordado, duas reflexões:

1ª - É impressionante como alguns artistas consagrados sejam blindados à críticas. Como se tudo que fizeram no passado já justifique a tudo que se prestem a fazer. Milhares de olhares complacentes que ao analisarem um objeto, um livro ou um filme demonstram uma benevolência extrema com o artista, embora as vezes isso não seja realista.

2ª - A internet socializou os comentários e as opiniões certo? Um grande número de pessoas gasta tempo e energia e falando sobre os mais variados assuntos, como eu por exemplo, aqui nesse espaço destilo comentários sobre alguns assuntos que mais gosto e pesquiso. E mesmo falando alguma besteira, estando certo ou errado, tenho certeza que sou honesto comigo e com aqueles que aqui entram.(fazendo média)

Há um número muito grande de site e blogs que desenvolvem a mesma temática desse aqui, cujo conteúdo é 90% arte e cultura, uns melhores, mais lidos e mais cheirosos e todos com opiniões tão iguais que até assustam.

Pensariam todos tão iguais assim no mundo virtual?

Alguns até enxergam qualidades onde normalmente veriam defeitos. Em um blog famoso li:"que o filme despretensioso e por isso é charmoso"; ou em outro." O filme é cheio de bobagens que diverte"...
Nada demais nas sentenças acima. É viável acontecer o descrito, porém, já vi essas mesmas pessoas pixarem outros filmes pelos mesmos motivos.
Quer dizer: se o Manezinho faz um filme despretensioso ou bobo é ridículo, agora se for um cineasta com pedigree pode...Fala sério...

Entremos no assunto,

Ontem assisti ao último filme dos irmão Coen "Queime depois de Ler"2008 (Burn After Reading) e não gostei, já aviso de antemão. Porém, hoje pela manhã li diversos comentários sobre o filme e para minha surpresa todos gostaram! Até ai tudo bem...Ninguém é obrigado a ter a mesma opinião que a minha e assinar embaixo o que eu acho. Opiniões são individuais , intransferíveis e inegociáveis, mas algumas que li estavam tão imprecisas que me pergunto se os tais "críticos" e "palpiteiros" teriam mesmo visto o filme?

Os irmão Coen são uma espécie de lenda no Cinema Americano, começaram independente e passaram aos grandes estúdios sem perder o estilo peculiar. Seus filmes são encharcados de violência e criticas ao "Amercan Way of Wife" e sua falsa moralidade com muito humor negro, em suma, todos os ingredientes para agradar os modernos ávidos por um cinema menos convencional.

A filmografia dos Coen é realmente relevante para a sétima arte, de 1984 com sua estréia "Gosto de Sangue"(Simple Blood) até 1999 com o Big Lobowski foi só grandes filmes! Raising Arizona 1987, Miller´s Crossing 1990, Barton Fink 1991, The Hudsucker Proxy 1994 e Fargo 1996, mas o quadro mudou a partir dos anos 2000, periodo no qual oscilou muito a qualidade dos seus filmes. Para cada " O homem que não estava lá " 2001 (The Man Who Wasn't There) e "Onde os fracos não têm vez " 2007 (No Country for Old Men) excelentes, viam uns filmes menores como: "Matadores de velhinha"2004 (The LadyKillers), Intolerable Cruelty 2003 (O amor Custa Caro) e agora esse queime depois de ler.

O filme conta a história de Osborne Cox (Jonh Malkovich), um agente da CIA que ao ser afastado de suas funções se demite e decide escrever suas memórias expondo alguns segredos do governo. Esse manuscrito cai nas mãos de Chad (Brad Pitt) e Linda (Frances Mcdormand), dois instrutores de uma academia que vêm na situação um oportunidade para ganharem uma grana, e ai a confusão está armada, uma série de perseguições, paranóia e traições, bem ao estilo da comédia de erros que os Coen já usaram em outros filmes, com maestria em Fargo, principalmente.

O filme tem alguns bons momentos, mas no resultado final decepciona. E nem a direção de elenco, um dos pontos forte de Joel, se sobressai. Nomes de peso como Jonh Malkovich, Tida Swinton e Francis Mcdormand estão apenas burocráticos enquanto George Clooney aparece no pior momento de sua carreira, canastríssimo. Apenas Brad Pitt, que pareceu muito a vontade e entrou no espírito farsesco da trama, e interpretação sóbria de Richad Jenckins se salvaram.

Resumindo: não gostei do filme dos irmãos Coen, e dai?

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Piada Mortal - Alan Moore e Brian Bolland


Pegando uma carona na recente premiação póstuma de Heath Ledger no Oscar 2009 interpretando o Coringa no mais recente filme da franquia" Batman, a Panini relança a Piada Mortal de Alan Moore e Brian Bolland de 1988.

A piada mortal é possivelmente uma das melhores histórias do Batman ao lado do Asilo Arkhan e do Cavaleiro das Trevas. Marcou época, e continua sendo cultuada por fãs de ontem e de hoje que se rendem ao tratamento adulto e original que Moore impõe aos heróis de histórias em quadrinhos.

Na trama, vemos um coringa no auge da sua psicopatia, cheio de brutalidade e insanidade, capaz de tudo para provar que basta um dia ruim para transformar qualquer pessoa, por mais sã que seja, em um louco apto a cometer os piores crimes possíveis. E o palhaço do crime põe para quebrar, sequestra e paralisa a filha do Comissário Gordon, tortura psicologicamente esse para corrompê-lo, porém, fracassa nesse teste. O Chefe da polícia não enlouquece como o vilão previa, diferente do Batman que sai caçando o seu antagonista com uma ferocidade comum aos loucos e mostra que apesar de opostos, o Cavaleiro das Trevas e seu rival estão mergulhados na loucura e são produtos desse "dia ruim".

Paralelamente, vemos em Flash Back a origem do Coringa, seu dia ruim e o motivo do ódio que ele nutre pelo Batman, e apesar da Graphic Novel ser intitulada "Batmam- A Piada Morta", quem brilha é o vilão sorridente de cabelos verdes.

A Arte de Bollard brinca bem com o jogo de sombra e luz dando um clima soturno e harmonizando bem com a história, mas é o roteiro magistral de Alan Moore que está a força da HQ. Aqui o roteirista dá sequência a revolução que impôs ao gênero em Watchmen anos antes, aqui ele transforma duas das personagens mais populares dos quadrinhos, terminando com o estigma maniqueísta tão presente nas histórias de heróis e perfis psicológicos bem delineados.

Com um final memorável e original que sintetiza toda a trama, "A Piada Mortal" é um clássico dos quadrinhos contemporâneos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A Duquesa 2008


Não é de hoje que os estúdios cinematográficos insistem em fórmulas consagradas para "apostar" em suas produções, certo?
Afinal, em time que se esta ganhando, não se mexe, e a novidade e a inovação não são importantes para a arte mesmo.(irônico)

Uma das equações mais bem-sucedidas deste seguimento econômico é: Filme de época + Atrizes Inglesas + figurinos ornamentais + amor impossível = Talvez um Oscar, $$ e muitos elogios dos "especialistas" que vão certamente festejar a fotografia, figurinos e cenas emocionantes e contemplativas.

Em A Duquesa " The Duchess" 2008 do inglês Saul Dibb está tudo ali, a personagem vitima dos ditames da sociedade da época, que aqui é Georgiana Cavendish(Keira Knightley), futura Duquesa de Devonshire uma mulher a frente seu tempo, se envolve com política, desenha suas próprias roupas e é admirda por toda aristocracia inglesa, menos por seu marido, o Duque( Raph Finnes) que só tem um interesse nessa associação, ter um filho para ser seu herdeiro. Entre casos amoroso extra-conjugais do Duque e uma total falta de interesse com que tratava a esposa é aberto espaço para discussões sobre o papel a mulher naquela sociedade, amor e compromisso.

Keira Knighlety não é nem uma Ema Thompson e isso todo mundo sabe. A jovem atriz tem sido figura fácil nesse tipo e produção e mais uma vez decepciona, principalmente nas cenas dramáticas, as quais pedem uma carga emocional maior, a atriz fica imóvel, com um olhar lânguido e distante. Em contra-partida o restante do elenco do filme vai muito bem. Ralph Finnes, como sempre ótimo, dá um ar humano e melancólico ao Duque de Devonshire, como estão convincentes Charlotte Rampling e Hayley Atwell.

A Duquesa é mais do mesmo, e nem os apurados aspectos técnicos como: a produção caprichada, a direção de arte primorosa e as sequências bem filmadas e bem fotografadas salvam o filme que transpira mesmice e falta de imaginação e de ambição artística.

quinta-feira, 26 de março de 2009

René Magritte

Rene Magritte, por Lothar Wolleh em 1967
René François Ghislain Magritte nasceu a 21 de Novembro de 1898, em Lessines. Apesar de flertar com outros movimentos artísticos(Impressionismo e Fauvismo nos anos 40), se notabiliou com uma das figuras principais da pintura surrealista ao lado de Dalí e Max Ernst .

Em 1916, ingressa na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, onde estudou por dois anos e começou a trabalhar em sua primeiras obras. Nesses trabalhos nota-se influências futuristas e cubistas. Casa-se em 1922 com Georgette Berger, quem viria ser modelo de diversas telas suas. Trabalhou até 1926 em uma fábrica de papel de parede criando cartazes e anúncios publicitários, e nesse mesmo ano pinta "Le Jockey Perdu", trabalho que tanto o artista quanto os críticos consideram o ponto inicial de sua obra.

Em 1927 faz sua primeira exposição na Bélgica e viaja para Paris/ França, onde conhece André Breton e Paul Éluard e passa a particpar efetivamente do movimento Surrealista, participando inclusive de mostras conjuntas. Expôs nos principais museus do mundo e foi reconhecido como um dos melhores pintores da sua geração. Faleceu em 15 de Agosto de 1967, em Bruxelas.

Magritte desenvolveu sua variante pessoal do surrealismo influenciado pela obra metafísica de Giorgio de Chirico. Deste adimirava o tratamento realista diante do irreal e o choque dessas visões. Seus quadros eram provocadores e poéticos, e possuíam um lado divertido, enigmático e ambíguo, trabalhando objetos prosaicos como: chapéus, janelas, charutos e olhos em situações mágicas e misteriosas. Artista de técnica apurada, alcançava uma nitidez nas telas que assustavam, pareciam até mesmo fotografias, tamanho a clareza.

Sobre o sentido de suas obras afirmava: "As pessoas que procuram significados simbólicos não conseguem captar a poesia e o mistério da imagem... As imagens têm de ser vistas tal como são", típica justificativa surrealista.



Dangerous Liaisons, 1926


The Difficult Crossing, 1926


The Menaced Assassin. 1927

The False Mirror, 1928

The Lovers, 1928


Attempting the Impossible, 1928

Annunciation, 1930


La Voix des airs, 1931

Les merveilles de la nature, 1932

La condition humaine, 1933

The Red Model, 1935

The Portrait, Brussels 1935

The Spirit of Geometry, 1937

The Domain of Arnheim, 1938


La Thérapeute, 1941


The Companions of Fear, 1942

The Empire of Light, II, 1950

Perspective Madame Récamier by David, 1951

Gonconda, 1953


Le seducteur, 1953

The Promenades of Euclid, 1955



L’Empire des lumières, 1953–54

Memory of a Voyage, 1955

Castle in the Pyrenees, 1959
The Glass Key, 1959



Beautiful World, 1962


The Son of Man, 1964

Le Blanc-Seing, 1965

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sob Controle - Surveillance


Assisti Sob Controle "Survilance"(2008) com toda boa vontade do mundo, afinal de contas a diretora Jenifer Lynch é filha de David Lynch, diretor que considero ao lado do Woddy Allen e do Francis Ford Coppola os melhores diretores americanos vivos.

Depois de 15 anos do seu primeiro filme, o sonso "Encaixotando Helena" Jennifer teve muito tempo para refletir e analisar o caminho a seguir em sua carreira, e infelizmente abriu as portas erradas e trilhou caminhos equivocados, seu último filme é fraquinho, fraquinho.

Os sumidaços Bill Pulman e Julia Ormond interpretam dois agente do FBI que chegam a uma cidade investigar uma chacina, que provavelmente foi cometida por dois Serial Killers que andam deixando um rastro de vítimas. Ao chegarem a delegacia, enfrentam um certa animosidade dos policiais locais(alguém lembrou do Twin Peaks?), e iniciam um investigação com os três sobreviventes do massacre: um policial, uma junkie e uma garota.

Nos depoimentos, cada uma das testemunhas conta sua versão e a partir delas a história vai se moldando até sua conclusão. O roteiro é até que espertinho e o filme começa bem, mas lá pelas tantas, quando as conclusões começam a aparecer, o filme deixa de ser convincente e interessante.

Desde a trilha sonora soturna e cheia de ruídos, às personagens bizarras e as cenas insólitas violentas vemos ecos dos filmes de seu pai, com um diferencial, enquanto esse explora o mundo da mente de suas personagens Jennifer mostra o mundo que passa a frente dos olhos das suas personagens.

Em matéria de talento de seus rebentos, o Coppola está melhor na foto. Sua Sofia tá melhor que a Jenifer do David.

terça-feira, 24 de março de 2009

Quem Quer Ser Um Milionário? 2008



Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de Rúpias. Como ele conseguiu?"
A: Ele trapaceou
B: Ele é sortudo
C: Ele é BOM
D: Está escrito

Com essas quatro perguntas tal qual em um programa de TV de perguntas e respostas, começa o filme "Quem Quer Ser Um Milionário" Slumdog Millionaire do versátil diretor inglês Danny Boyle e baseado no romance Q & A", de Vikas Swarup.

No filme, acompanhamos a história de Jamal Malik, um rapaz de 18 anos, analfabeto e que trabalha servindo chá. O jovem está participando de um programa ao estilo do" Show do Milhão" e contrariando todas as expectativas, está indo muito bem. O apresentador do programa tem dúvidas quanto à sua capacidade e acha que Jamal está trapaceando. Chama a polícia para dar uma prensa no rapaz, nesse momento, por meio de Flash Backs entre o interrogatório, vamos conhecendo a vida do rapaz e como ele sabia cada resposta de cada pergunta.

Nos Flash Backs vemos Jamal junto ao seu irmão Salim, tentando sobreviver em uma Mombai miserável e caótica, ao meio de conflitos religiosos, exploração infantil e prostituição. E sua trajetória romântica para ficar com Latika, sua paixão desde criança.

O roteiro adaptado de Simon Beaufoy que vai da crítica social leve ao romance agridoce, nas mãos de outro diretor tenderia ao drama, mas na mão de Boyle fica leve e divertido. O filme ainda possui uma trilha sonora exótica e competente, uma montagem dinâmica e ágil e uma edição brilhante que mantém o ritmo e não confundem o telespectador mesmo com a fragmentação da narrativa.

O filme está longe de ser uma obra-prima do cinema, mas tem seu charme, tanto na tela como fora. Ou você não acha divertido um filme feito com apenas US$ 15 Milhões, filmado na Índia, sem nenhum ator conhecido ganhar uma cacetada de prêmios e faturar uma grana boa? Eu acho hilário.

Respondendo a pergunta que é o nome do filme, Eu quero ser milionário. E pode ser em Rúpias mesmo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

I May Be Paranoid, But Not an Android

Capítulo II - No Show...

tomo 1 - Kraftwerk

A reunião dos três amigos durou pouco, bastaram poucas músicas e alguns minutos para Kosema sai atrás de uma certa Miss Lexotan 6 mg garota e se perder na multidão. A responsa estava nas mãos de Lizard e Eraserhead, cabia agora somente aos nosso heróis analisarem a noite, o show e a vida, mas para falar a verdade um show de Rock não é lugar para filosofar ou para entrar em crise existencial.

Aquele show era muito importante para os dois, pois eles cresceram ouvindo os discos do conjunto alemão e em um dos muitos projetos de montar uma banda que os dois tiveram, eles ensaiaram Computer World,(aquela música que o Coldplay "pegou" o riff para talk) e esperam executá-la em um show. Logo uma uma saudade de algo que não existiu alcançou nossos amigos os fez sentirem velhos e deslocados mesmo tendo muita gente da mesma faixa etária, sentiram-se peixes fora d´água.


O show foi curto porém intenso. Na sua 1 hora de duração o grupo executou boa parte de seus clássicos: Tour de france, Showroom Dummies( que em um trecho parece ter sido cantada em Português), Trans-Europe Express, Radio-ativit, The Robots, Autobhan e Music Non Stop, que fechou o show.

Terminado o show, e os dois com o espírito refeito, quase socaram um sem noção e herege que falou mal do kraftwerk. O animal tirava sarro das onamatopeias de music no stop...Babaca, deve ser fã do Los Hermanos, pensava Eraserhead.

Tomo 2 - Radiohead

Eraserhead tomou algumas cervejas e junto de king lizard resolveram ir mais para perto do palco, na intenção de encontrar alguns amigos do segundo. Foram passando calmamente se desviando dos corpos-obstáculos e em meio a multidão suspirosa encontraram os amigos de lizard, trocaram alguns cumprimentos e se prepararam para o show, que logo começaria.

O Show não foi melhor de todos os tempos como tem gente gritando por ai, mas foi bom. Contrariando a opinião de Lizard e Eraserhead que achavam que o tipo de música executado por Yorke e cia não se sairia bem naquele ambiente aberto e lotado. a banda mostrou que tem atitude e energia para balançar a galera.



O set list não podia ser melhor! Começou com a matadora 15 steps, passando pelas alucinadas the National Anthena e Pyramid Song, a sublime Karma Police. Depois vieram: Optimistic, Faust Arp, Jigsaw Falling Into Place, Idioteque, Climbing Up The Walls, Exit Music (For A Film), Bodysnatchers Videotape, Paranoid Android, Fake Plastic Trees, Lucky entre outras.



O gran finale ficou por conta da Creep que gerou um descontentamento em Lizard, que não gosta da música e êxtase em Eraserhead, pois é uma de suas músicas prediletas. Fim do show, nossos heróis carcomidos pelo cansaço trocam um olhar conclusivo e dizem juntos: Não dá mais. esse foi último show, estamos velho para isso. Já dissemos isso outras vezes mais dessa vez e definitivo.



Eles dão alguns passos em direção a saída e trocam outro olhar e dizem em coro - Quando vai ser o próximo?

Fim

P.S.: Kosema, se você estiver vivo, mande um sinal.

Are We The Robots?

Radiohead, Kraftwerk e Los Hermanos - Impressões sobre o Show ou estariam Edu, the king lizzard; Kosema e Eraserhead, ser antigamente conhecido como Zelão, velhos para ir a um show de rock?

Capítulo I - As Epopeias


Diário de bordo, data estrelar 22/03/2009 17:05 - começa nossa aventura. Eraserhead sai da longínqua galáxia conhecida como Tremembé com destino a Chácara do Jockey cruzando praticamente toda São Paulo. Ele está bem atrasado, pois os portões abririam nesse mesmo horário, embora o primeiro show, pelo menos para nosso herói, seria descartável.


As coisas não começam bem. Eraserhead abre o compartimento de CDs e pega ansioso o Ok Computer para ir ouvindo no caminho e tem uma terrível surpresa: O CD Está quebrado, partido ao meio. Uma lágrima sai de seu olho. Meio a contra-gosto, vai ouvindo o jogo do Corinthians e Santos torcendo desesperadamente para o o time da baixada empatar, fato que não acontece. Maus presságios.

Eraserhead não é nenhum Schumacher, mas chega em surpreendentes 25 minutos até a ponte da Francisco Morato. Deslumbrado com seu feito, vai seguindo pela avenida(em obras) até um desvio para a a avenida Eliseu de Almeida(também em obras), ai começa o inferno. o percurso que demoraria 15 minutos leva mais de uma hora para fazê-lo. Será que as pessoas que organizaram o evento não sabiam que as duas principais vias de acesso estariam em reforma? E que 30.000 mil pessoas iriam passar aperto para chegar no Show?

Finalmente no local, começa a segunda epopeia da noite. Encontrar um local para estacionar. Tudo tomado, o estacionamento do evento, calçadas e esquinas lotados. Lá de fora eraserhead ouviu acordes, mas não identifica quem toca. Torce desesperadamente que seja a banda do Camelo, não porque não goste, mas porque ele veio para ver as outras atrações. Edu que vinha já algum tempo auxiliando o cabeça de borracha via torpedos SMS o tranquiliza dizendo que os Homens-Robôs ainda não haviam entrado. Eraserhead deixa o carro a uns 2.500 Km, paga a abusiva quantia de 30 reais e segue para o show. Tudo pelo Rock.

Encontrar o King Lizard não foi difícil. Além de hábil nas mensagens, estava nos portões a aguardar Eraserhead, mas encontra o Kosema foi a terceira epopeia da noite. Sr Kosema é um verdadeiro fanfarrão, e tudo que faz ou tem o intuito de sacanear alguém ou é displicente por natureza. Logo liga várias vezes para eraserhead dizendo que está chegando, quando na verdade nem mesmo sabe onde está e depois de mais de 30 minutos, Eraserhead e King Lizard ao ouvirem as primeiras batidas do Kraftwerk decidem entrarem para não perder o show, chega a figura, com um imponente casaco militar verde parecendo um General Coreano como estampou Lizard.
Continua...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quatro Posts Ligados Parte IV - Nick Cave and the Bad Seeds

Fechando essa série de posts ligados, a cena final do filme, onde Damiel encontra Marion em um show do fantástico Nick Cave.


Nick Cave and the Bad Seeds - The Carny/From her to eternity

quinta-feira, 19 de março de 2009

Quatro Posts Ligados Parte III- Wim Wenders - Asas do Desejo




"Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte..."
Rainer Maria Rilke, As Elegias de Duíno - Primeira Elegia

Em 1987 quando Wim Wenders fez seu "As Asas do Desejo" (Der Himmel über Berlin), já era um diretor de cinema consagrado e possuidor de uma filmografia respeitável, na qual destacam-se os filmes: O Medo do Goleiro diante do Penalti(Die angst des Tormmans beim Elfmeter)1972; Alice nas cidades(Alice in den Städten)1974 ; o Amigo Americano(Der Amerikanisch Freund) 1977; e talvés seu melhor filme, o road-movie existencial Paris,Texas(1984). Porém, nenhum deles conseguiu se tornar objeto de culto e veneração com foi o primeiro citado .

Wenders escreveu o argumento do filme com o seu antigo colaborador, o escritor Peter Handke, e foram influenciados pelos temas explorados por Rainer-Maria Rilke em suas "Elegias de Duíno", o divino em contato com o humano e a solidão da existência. O filme não contou com um roteiro definitivo, a dupla abriu aos atores espaço para improvisações inspiradas no local e na história. "O que acontece sem planejamento, ao acaso é precioso, que não controlar o processo criativo, funciona como uma cura para a alma e para a mente", disse o cineasta a respeito da experiência.

O filme se passa em meados da década de oitenta, sobre uma Berlim despedaçada intimamente pela guerra e ainda separada pelo famoso muro, onde anjos passeiam por seus céus ouvindo o suplício dos humanos e vivendo em um mundo sem cores e sem gostos. Os anjos não podem ser vistos ou ouvidos pelas pessoas, apenas escutá-las e confortá-las passando esperança através de um toque de mão.

O anjo Damiel(Bruno Ganz) rompe esse distanciamento quando se apaixona pela trapezista Marion (Solveig Dommartin), quebra o muro que separa o divino do humano caindo como anjo, passado a humano. Esta mudança para a vida terrena nos é mostrada pela introdução do mundo de cores, o mundo que na perspectiva angelical era sépia, aos olhos humanos é invadido pela vida colorida dos tantos possíveis sentimentos dos homens.

Já Homem, o ex anjo, toma contato com a condição humana. Vende sua armadura celestial, pois tem fome, experimenta maravilhado a atos prosaicos aos humanos, como por exemplo: caminhar, tomar um café e fumar um cigarro. Damiel se porta como uma criança que anda pela primeira vez e encontra seu amor, Marion.

Destaque para a soberba interpretação de Bruno Gans, enquanto anjo passa uma melancolia distante, quando humano uma naturalidade infantil e para a de Peter Falk que faz um anjo caído que ajuda Damiel a se adaptar na terra.

O filme apresenta um resultado poético inigualável, e apesar do evidente aspecto espiritual não discute ideias teológicas, os anjos são metáforas da incompletude inerente a existência, a incapacidade de comunicação entre pessoas, a busca a algo que de um sentido para a vida e as transformações que nos dispomos ao encontrar o amor. Cinema com "C" maiúsculo!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quatro Posts Ligados Parte II - Rainer Maria Rilke


Rainer Maria Rilke(1875-Praga/ Rep.Checa - 1926-Valmont/Suíça), foi um dos mais importantes poetas da língua alemão de todos os tempos, e seguramente, um dos mais influentes do mundo.

Na sua obra observa-se três períodos bem definidos: o primeiro mais alinhado à estética simbolista, representada pela" História do Bom Deus" (1900); a segunda fase voltada para poesia concreta ou poema-coisa, como ele mesmo os chamava, representado por "O livro das Horas" de 1905 ; e a terceira, uma poesia hermética e metafísica quase barroca, que percebe-se uma certa aproximação dos conceitos filosófico e existenciais de Soren Kierkegaard.

Desta última fase destaca-se o "As Elegias de Duíno", escrita num período de dez anos de 1913 a 1923 é uma das obras capitais da poesia ocidental do Século XX. Rilke trata dos temas que lhe trouxeram fama, o existencialismo, o encontro do sagrado com o terreno e a solidão.

Seus dez longos poemas que compõem o livro, tecem um retrato da angústia ocidental sobre o tempo que passa, o mundo que termina e aos poucos perde sua divindade, e oferece uma "resposta semi-religiosa, não-cristã, à cultura europeia, que criticava o cristianismo, mas não sabia nem podia existir sem soluções religiosa" como bem definiu o crítico espanhol José Joaquín Blanco, metafísica a parte são dos mais belos versos da história da literatura .



"Se o homem fosse um animal ou um anjo, não poderia se angustiar. Mas, posto que é uma síntese, pode angustiar-se, e quanto mais profunda a angústia, maior o homem."
Soren Kierkegaard - O Conceito da Angústia.

PRIMEIRA ELEGIA

Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é
Senão o início do terrível, que já a custo suportamos,
E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha
Destruir-nos. Cada anjo é terrível.
E assim me contenho pois, e reprimo o apelo

De obscuro soluço. Ah! A quem podemos
Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens,
E os animais sagazes logo percebem
Que não estamos muito seguros
No mundo interpretado. Resta-nos talvez
Alguma árvore na encosta que diariamente
Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem
E a mimada fidelidade de um hábito,
Que se compra conosco e assim fica e não nos abandona.
Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços
Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada,
Levemente decepcionante, que para o solitário coração
Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes?
Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte.
Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.

Sim, as primaveras precisavam de ti. Muitas estrelas
Esperavam que tu as percebesses. Do passado
Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou
Ao passares sob uma janela aberta,
Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre
Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse
A bem amada? (onde queres abrigá-la
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
Sempre de novo o louvor jamais acessível;
Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi
Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento.
As amantes, porém, a natureza exausta as toma
Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las.
Já pensaste pois em Gaspara Stampa
O bastante para que alguma jovem,
A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo
Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela?
Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar
Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos,
Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos
Como a flecha suporta à corda, para, concentrando-se no salto
Ser mais do que ela mesma?
Pois parada não há em /parte alguma.

Vozes, vozes.Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.

Certo, é estranho não habitar mais terra,
Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos,
Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas
Não dar sentido do futuro humano;
O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo
Não ser mais, e até o próprio nome
Deixar de lado como um brinquedo quebrado.
Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho,
Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto
No espaço. E estar morto é penoso
E cheio de recuperações, até que lentamente se divise
Um pouco da eternidade. - Mas os vivos
Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir.
Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes
Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna
Arrebata através de ambos os reinos todas as idades
Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.

Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo,
Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
suavemente se deixa, ao crescer.Mas nós que de tão grandes
mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes
o abençoado progresso se origina - : poderíamos passar /sem eles?
É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos,
A primeira música ousando atravessou o árido letargo,
Que então no sobressaltado espaço, do qual um quase /divino adolescente
escapou de súbito e para sempre, o vazio entrou
naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajuda?

terça-feira, 17 de março de 2009

Quatro Posts Ligados Parte I - Kierkegaard


Soren Aabye Kierkegaard nasceu em 1813 Copenhague e morreu na mesma cidade 1855, foi um filósofo e teólogo dedicado ao pensamento e a reflexão dos temas ligados ao sentido e a angústia da existência e da fé, foi o percussor do existencialismo e influenciou Sartre e Heidegger.

Kierkegaard desenvolveu seu sistema filosófico em seu íntimo e foi influenciado por fatos de sua vida. Dois desses eventos mais marcantes foram: seu relacionamento conturbado e difícil com o pai, que era um viúvo e depois da morte da esposa, casou-se rapidamente com a governanta, mãe do filósofo.
Pela rigidez religiosa do pai, considerava-se um pecador e Kierkegaard quando tomou conhecimento deste fato, passou a ter um sentimento doloroso de pecado e culpa para com o pai.
O segundo evento foi o término do noivado com Regina Olsen, pois se considerava incapaz de dar o afeto que a noiva merecia.

Em oposição às ideias da objetividade de Hegel, que afirmava " que a parte não tem qualquer relevância com respeito ao todo a que pertence, o indivíduo só tem valor como componente da espécie", Para Kierkegaard,"a único jeito de sair deste sistema sufocante era reivindicar a subjetividade do indivíduo".[1]

O filósofo enxergava três formas caminhar para o transcender, cada uma delas chamadas de Estágios da Existência: o estético, o ético ou moral e o religioso.
O Estético que é representada pela figura mitológica do Dom Juan, era o hedonismo e o prazer superficial. O tipo de vida estético não proporciona realização àquele que lhe dedica a vida, e apesar de abominar a monotonia em um determinado momento é o seu inevitável destino que resultará no desespero.
O Ética ou Moral é representado pelo herói da vida conjugal, o bom marido, e é quem decide quem deseja ser e se impões a disciplina necessária para conseguir. É fiel e observa as leis e respeita os compromissos assumidos, porem e escravo de conceito já existentes. E é incapaz de se realizar plenamente como indivíduo, pois não consegue eliminar os problemas fundamentais da existência, nascendo assim a angústia.
O Religioso que é o único capaz de responder ao significado da existência, a partir de um contato direto com Deus, o ser humano se coloca acima da ética.

O estágio religioso é um passo consequente, pois é a partir da desordem dos estágios inferiores que se tem a possibilidade de encontrar a realidade superior.
É representado pelo mito de Abraão e o sacrifício de Isaac. Vale ainda citar que apesar de católico, Kierkegaard era mordaz crítico das instituições religiosas e o que elas representavam.

Para Kierkegaard "a existência humana significa liberdade, a possibilidade de realizar-se em um dentre os infinitos modos possíveis. Esta escolha leva a angústia, que só inexiste nos animais e nos anjos. Um dos possíveis efeitos da angústia é o nada, a nulificação paralisante do indivíduo."[2]

Principais Obras: Diário de um Sedutor (1843); Temor e Tremor (1843); as Etapas da Vida (1844); O Conceito da Angústia(1844); As Etapas do Caminho da Vida( 1845); A Doença Mortal(1849).

[1] e [2] -Nicola, Ubaldo - Antologia Ilustrada da Filosofia - Rio de Janeiro/RJ Globo 2005

segunda-feira, 16 de março de 2009

Na Mira do Chefe (In Bruges) 2008

Brenda Gleeson e Colin Farrel no fundo a bela cidade belga.

Na Mira do Chefe(In Bruges) 2008 - Longa metragem de estreia de Martin McDonagh, premiado diretor teatral inglês e vencedor do Oscar de curta-metragem em 2004 (por Six Shooter), é um filme que chegou discretamente ao Brasil, mas merece uma conferida mais atenta.

Na trama, dois matadores profissionais: Ken (Brendan Gleeson) e o novato Ray (Colin Farrel ), são mandados para a cidade de Bruges, na Bélgica, por seu chefe (Ralph Finnes) para aguardarem uma ligação dele. A estadia dos dois na cidade é conflitante, para Ken é o Céu. Ele aproveita e se deleita com a beleza da cidade, que possui uma bela arquitetura medieval, um sistema de canais que lembra Veneza e os seus Museus de arte; para Ray é o inferno, pois não e dado a passeios culturais e é atormentado por sua última missão, ele deveria eliminar um padre e acaba matando uma criança também.

Ao receber a aguardada ligação do chefe, Ken é incumbido de matar Ray pelo "erro" da última missão, conflito esse que gerará discussões sobre suicídio, amizade e fidelidade. O filme equilibra muito bem o teor dramático, com a comédia de humor negro, no filme passeiam personagens insólitas por situações divertidas, como um ator anão racista e viciado em tranquilizante para cavalos e uma traficante e ladra de turistas, par romântico de Ray, além das muitas confusões que a personagem de Farrel se envolve: a briga com um casal canadense em um restaurante, ele dá um golpe de caratê no anão depois de uma noitada, se envolve em confusão com uma família de obesos e a briga com um skinhead que queria roubá-lo.

O roteiro de autoria de McDonagh é excepcional, repleto de reviravoltas ora emocionantes e ora cômicas e cheia de diálogos inspirados. O trabalho de interpretação do elenco é competente, destaque para o desempenho de Farrel, uma das melhores de sua carreira e a paisagem gótica e da cidade de Bruges fazem desse filme um trabalho interessante, um dos melhores do ano passado